Não escondo de ninguém que o Canadá para mim representa uma segunda chance.

Eu não tinha boas perspectivas de vida no Brasil, por causa da situação do país mas também por escolhas que fiz. Primeiro, mofei por cinco anos na faculdade de Direito sem vontade de estar lá. Meu coração estava na música e passei anos muito importantes da minha vida tentando me encontrar e buscar meu caminho. Um belo dia, encontrei tudo isso com a Red Bull Music Academy em Roma, os festivais que organizei, as gravações que fiz e finalmente com a carreira acadêmica. Mas em 2012 o sinal estava claro: a chance de eu me tornar um doutor desempregado e infeliz eram muito grandes.

E antes de pagar para ver se seria assim ou não, eu fiz minha trouxinha e vim para o Canadá. Onde pouca coisa que eu trazia na bagagem valia para alguma coisa... Nem meu doutorado me tornaria competitivo por aqui.

Não é fácil recomeçar por aqui, mas é possível. O sonho canadense não existe, mas a realidade pode sorrir para quem mantém os pés no chão.

Voltei para a escola aos 42 anos para buscar uma segunda carreira onde eu pudesse aplicar conhecimentos que já tinha e ter melhores opções... agora estou terminando o estágio remunerado com 43 anos. A organização gostou do meu trabalho, me avaliou da melhor forma possível e vamos ver o que virá!

O que vale dizer aqui é que desta vez estou adotando uma postura bem diferente da que adotei no passado. Estou indo à luta, trabalhando duro e buscando o meu melhor todo o tempo. Os canadenses gostam disso e na medida em que vêem vão abrindo as portas. A famosa barreira da experiência canadense é, no final das contas, apenas uma barreira que pode ser superada.

Aprendi por aqui a viver sem me agarrar tanto a ilusões padrão Disney (o que não quer dizer que eu não sonhe... só não acredito no sonho canadense padrão dos brasileiros, que tem bases fortes no lado material) e aproveitando bastante as pequenas coisas boas e bonitas que me aparecem pelo caminho. A neve, a arquitetura do centro de Ottawa, o pôr-do-sol de primavera... cada dia é um dia e o tempo é de plantio.

Enfim, tenho visto muito baixo astral por aí. Brasil, Itália, Grécia, Portugal... é, a turma do euro não anda muito bem. Pessoas desmotivadas, decepcionadas, aguardando mudanças que talvez nunca virão... enfim, me entristeço. E espero que de alguma forma essas pessoas se mexam, saiam de suas zonas de conforto seja lá quais são e reinventem o que não está bom em seus pequenos mundos...

Nunca se pode dizer que acabou. Sempre pode existir uma saída, mesmo que seja a do aeroporto. O que não podemos fazer é ficar parados esperando as coisas acontecerem num passe de mágica. A vida é dinâmica e precisamos nos manter em movimento em busca do melhor, enquanto podemos!

Deixo essa música, que tem tudo a ver:

Aprendi muito cedo sobre as complexidades do que é ser imigrante, principalmente com as inevitáveis escolhas, perdas e nostalgias... Afinal de contas sou filho de um imigrante que nunca conseguiu resolver essas questões, pois era criança, e foi obrigado a separar-se da mãe seguindo para uma vida inteira no Brasil desconhecido.

Mas os meus amigos italianos, com quem convivi na adolescência, também me ensinaram muita coisa. Principalmente sobre as dores e dilemas para se adaptar a um país onde se acaba de chegar.

Era 1987 e o saudoso Promove Serra, onde eu estudava, alugou um espaço vago para a Fundação Torino, escola criada para os filhos dos funcionários da FIAT ou de outras empresas italianas que transferiam-se para trabalhar na cidade trazendo suas famílias. Eram contratos temporários, o que complicava ainda mais a situação. Esses meninos e meninas precisavam despedir-se da sua terra, dos seus familiares e dos seus amigos e alguns anos depois, já adaptando-se ao Brasil, precisavam fazer tudo de novo e enfrentar a síndrome do retorno na Itália.

Eu tentei aproveitar a situação para fazer amigos e aprender uma língua e uma cultura. Foi uma grande experiência... Não foi fácil, até porque minha adolescência foi difícil e eu era muito tímido a ponto de parecer bobo, ou "scemo" como eles diziam. Mas além de aprender a falar italiano com muita fluência sem nunca ter frequentado um curso de línguas fui apresentado a uma cultura que amo muito. Como sempre fui um menino de lugar nenhum, nunca foi difícil para mim assimilar elementos vindos dos mais distintos lugares e ser um cidadão do mundo. Acredito que para eles foi bem mais difícil encarar o "intruso" em sua comunidade do que para mim. Não eram de se misturar... o horário do recreio dos brasileiros e dos italianos era sempre o mesmo mas eles ficavam isolados num canto. Não faziam questão de se misturar aos brasileiros.

Alguns daqueles jovens, ainda, deixavam-se levar pela importância da FIAT na economia de Minas Gerais e pela excelente vida que a empresa lhes proporcionava. Talvez bem melhor do que a que tinham na Itália, onde eram apenas anônimos na multidão. Em Belo Horizonte viviam em excelentes imóveis, frequentavam o melhor clube da cidade, tinham acesso a carros zero quilômetro cedidos pela FIAT... enfim, parecia ser uma vida muito boa no sentido material. Enquanto nós usávamos uniforme, eles desfilavam roupas de marca.

Alguns desses jovens italianos marcaram muito a minha vida. Eram pessoas de quem eu simplesmente gostava. Na verdade, não era muito difícil gostar deles. Mas traziam consigo uma tristeza e uma nostalgia que eu não conseguia racionalizar na época. A estranheza de não se sentir parte do lugar onde se está. A saudade do seu país, da sua cultura, dos seus amigos... uma saudade profunda e difícil de curar. E que posteriormente se transformava nos mesmos sentimentos, só que aplicados a Belo Horizonte e ao Brasil.

Esses sentimentos ajudaram a fazer um deles... que foi muito amigo meu... a decidir ir embora deste mundo muito cedo, aos 22 anos...

Alguns daqueles italianos estão entre as pessoas a quem devotei mais amizade e carinho ao longo de toda a minha vida. Eles me ensinaram muito. O contato com eles, dentre várias coisas, me ajudou a alcançar a Red Bull Music Academy de 2004, em Roma.

Olha eu aí durante a RBMA de 2004 em Roma!

Algumas dessas lições eu só pude assimilar inteiramente depois que me tornei eu mesmo um imigrante. Com eles aprendi como é bom ter apenas uma casa... o Planeta Terra, isso se não for possível ser habitante de todo o Universo. Como respeitar diferenças e como ser grato à terra que nos abriga agora e às pessoas que aqui estão por tudo que fazem para nos acolher... que seja um despretensioso sorriso na rua. Como valorizar muito mais o ser do que o ter, que pode não durar para sempre. Como ter certeza de que todos nós podemos deixar marcas profundas por onde passamos, ainda que pareçam insignificantes. Como abrir nossas próprias fronteiras para línguas, sabores, sons, letras, roupas, luzes e todo o resto que vem de outros lugares. Como aproveitar o dia de hoje da forma mais intensa possível. Como compreender que despedidas nunca são eternas.

E como encontrar poesia nos pequenos gestos. Os italianos podem ser grandes poetas em suas vidas.

Perdi contato com esses amigos italianos por muitos anos, mas nunca perdi a esperança de reencontrá-los. Procurei-os por muito tempo e a Internet - que não existia naquele início de anos 90 - me ajudou a localizá-los. Um dia, ainda hei de revê-los pessoalmente. Porque não restaram fotografias, vídeos, selfies... nada. Restaram apenas as lembranças, que estão impressas na minha mente como se tudo tivesse ocorrido ainda ontem. E restaram músicas. Uma delas, que compus ao longo dos anos 90 e gravei em 2004, fala da rua onde nos encontrávamos - pois nela ficava a escola - e de todas essas lembranças e saudades.

Para quem quiser ouvir, está aqui. Atenção a todos os detalhes... os sons e a forma do fonograma contribuem para o sentido da música... Foi uma experiência da qual tenho muito orgulho e que também ajudou para que o Canadá me aceitasse... lembrando que recebi a residência permanente numa classe de imigração para artistas...

Foi feita para dois desses amigos italianos... um está em Turim e o outro é o que decidiu nos deixar...


A letra em italiano, com tradução:

Quella vecchia strada, dove camminavamo insieme
Aquela velha rua, onde caminhávamos juntos

Non ti vede più, ma ti ricorda per sempre
Não te vê mais, mas se lembra para sempre de você

Tutto è già cambiato, ma c'è qualcosa che non mi va
Tudo já mudou, mas há algo que me incomoda

Ci penso a quell'amico ch'è partito e non tornerà
Penso naquele amigo que foi embora e não voltará

Quella stessa strada... palazzi, macchine, faccia
Aquela mesma rua... prédios, carros e rostos

Ma quando guardo i marciapiedi, sento ancora le tue traccia
Mas quando olho para as calçadas, sinto ainda suas pegadas

Tutto è già cambiato, ma una cosa non cambia mai
Tudo já mudou, mas uma coisa não muda nunca

Non ci riesco a cancellare i ricordi che lasciai
Não consigo apagar as lembranças que você deixou

La scuola non esiste più
A escola não existe mais

Ma invece c'è ancora il club
Mas por outro lado ainda existe o clube

Mi fermo là e guardo su
Paro por lá e olho para o alto

E mi guardi tu dal blue? Dal blue...
E você me olha do azul? Do azul...

Quella veccha strada, quel vecchio asfalto
Aquela velha rua, aquele velho asfalto

Gli anni, la mia vita, il pensiero vola in alto
Os anos, a minha vida, o pensamento voa lá no alto

Tutto è già cambiato, ma una cosa non si può cambiare
Tudo já mudou, mas uma coisa não se pode mudar

I piedi son per terra, l'Uomo non può volare
Os pés ficam na Terra, o homem não pode voar

Quella stessa strada... negozi, l'autobus
Aquela mesma rua... lojas, o ônibus

Fumo, calore e la nostra gioventù
Fumaça, calor e a nossa juventude

Quella vecchia strada, dove camminavamo insieme
Aquela velha rua, onde caminhávamos juntos

Non ti vede più ma ti ricorda per sempre
Não te vê mais, mas se lembra para sempre de você


Uma das grandes críticas e preocupações que tenho com os imigrantes que encontro pelo meu caminho, independente da nacionalidade, é o fato de chegarem aqui e tentarem retomar o padrão de vida que tinham em seus países. Mesmo que estejam recomeçando do zero e não disponham mais do salário e do amparo financeiro para mantê-lo.

Eu sei que não é fácil! Mas a regra do jogo é clara: a não ser que você represente uma feliz e afortunada exceção, terá que recomeçar aqui no Canadá. Há a difícil barreira da experiência canadense para superar. O custo de vida não permite as mesmas extravagâncias... mas mesmo assim você tenta. É difícil para o ego, sabe? Num dia você tinha muitas conquistas materiais e se orgulhava disso... mas agora você está aqui e muita coisa ficou para trás.

Já passei por isso e nem precisei sair do Brasil. Você sabe como era a minha vida quando vivia em Belo Horizonte? Pois bem... eu morava num apartamento próprio de cobertura com 250 metros quadrados. E com herança envolvida, tinha dois carros só para mim. Frequentava restaurantes caros, comprava roupas caras... Aí inventei de me mudar para o Rio de Janeiro. Lá fui parar num apartamento de 150 metros quadrados. Ainda grande... Mas que não tinha, por exemplo, uma vaga de garagem. Fui obrigado a alugar uma por alguns anos, mas um dia vendi o carro - eu tinha vendido um dos dois ao sair de BH e fiquei só com um - para aliviar os gastos.

No Rio passei a fazer muitas coisas a pé e a usar o transporte coletivo. Deixei de frequentar os mesmos restaurantes e comprar as mesmas coisas, porque minha renda subitamente diminuiu e meus gastos com condomínio, água e plano de saúde cresceram muito. E sobrevivi. Não sinto falta do que deixei para trás.

E isso me ajudou muito a encarar o começo de vida aqui no Canadá. Vim com uma prioridade só: morar razoavelmente bem, num local conveniente. O que nem sempre é fácil por aqui.

Pois muito bem... Vejo muitos imigrantes citando os mais diversos motivos para decidir vir para cá, mas ao mesmo tempo poucos aproveitam a oportunidade para buscar uma transformação real em suas vidas... para experimentar coisas novas... Não falo dos que realmente precisam manter certas coisas até por razões profissionais, mas dos que podem escolher e não escolhem. Nada contra, eu não julgo... mas ao mesmo tempo, quieto no meu cantinho, lamento.

O Canadá não é, nem nunca será, uma versão melhorada do Brasil. Não terá necessariamente as mesmas coisas boas que há por aí, ainda melhores. É um outro país, é uma outra cultura, e você levará muito tempo para compreendê-la e assimilá-la. Mesmo assim, você só conseguirá fazer isso se tentar desde o começo.

Alguns dos exemplos mais comuns que vejo ao meu redor são:



- Comida: talvez você não faça ideia de como a comida no Brasil é farta e saborosa. Sem falar que sempre há um restaurante a quilo que te salvará em caso de necessidade. Aqui, há uma variedade bem grande de cozinhas... mas não há muita coisa parecida com a saudosa comidinha caseira do Brasil. E numa cidade como Ottawa, você não vai encontrar um restaurante brasileiro. No máximo, uns três brasileiros que vendem marmita. Não é qualquer um que se adapta facilmente às gororobas sem sabor que estão por aqui. Então, o que fazer? Meu amigo e minha amiga... só há uma opção: aprender a gostar das iguarias anglo-canadenses (menos saborosas do que o que há no Québec) e das muitas opções étnicas: comida chinesa, comida indiana, comida árabe... etc...
E ah! Não pense que Ontario tem todos aqueles restaurantes e todas aquelas opções dos Estados Unidos. Não, não tem Outback. Nem Applebee's. Nem Olive Garden.
(E como esse povo se entope de carboidratos e calorias sem engordar?)



- Transporte: pois bem, há quem chegue aqui sem nunca ter usado o transporte coletivo na vida (a não ser naquelas viagens inesquecíveis a Nova York, onde andar de metrô é glamouroso). E ao chegar aqui, continua não usando... mesmo que não tenha qualquer necessidade real de explorar o outro lado. Mesmo que, em alguns casos, repita máximas como "país rico é aquele em que os ricos usam transporte coletivo"...



- Tolerância religiosa: sim, aqui há pessoas que praticam as mais diversas religiões e que devem ser respeitadas e tratadas sem preconceito! Você já parou para imaginar que aquela moça muçulmana que está usando véu pode ter tido a liberdade de abandoná-lo mas simplesmente não quis? Pois bem! Pode ter acontecido. 



- Moradia: talvez você precise, pelo menos no começo, morar num "apertamento" bem pequenininho. E com crianças... Impossível? Bom, não é o que o meu vizinho de porta pensa. Ele é canadense, tem duas meninas na faixa dos 3 a 5 anos e mora num condo de 70 metros quadrados.
Além disso, pode ser que você tenha que usar lavanderias compartilhadas. Seu vizinho indiano que cheira a curry e seu vizinho canadense que toma banho a cada 15 dias podem ter acabado de lavar a roupa na mesma máquina, logo antes de você. Tá com nojo, minha amiga?
(Quando usei lavanderia coletiva pela primeira vez, num hotel dos Estados Unidos, uma americana estava retirando minhas cuecas da máquina sem a menor cerimônia e sem qualquer permissão minha. Deu raiva!)


- O clima: OK, você não gosta de frio e se arrepia com a possibilidade de passar semanas sem ver sol e céu azul. Tem certeza de que quer vir para cá? Mesmo?

- O sistema público de saúde...

E há outros fatores, claro!

Muito bem... só para deixar bem claro, eu não pretendo criticar ou atacar o seu modo de vida e as suas escolhas por aqui. Você tem todo o direito de viver da forma como bem entender. 

Mas entendo que vindo de cabeça aberta e sendo receptivo às situações novas que poderá encontrar por aqui, sem descartá-las de cara, é fundamental para que você tenha uma verdadeira experiência canadense e aproveite ao máximo o que este país te oferece. Haverá situações em que você não terá escolha: precisará encarar situações novas. Para o imigrante, vir de cabeça aberta facilita muito o processo de adaptação e ensina bastante. Esse aprendizado será o o maior patrimônio da sua vida!
Houve quem comentasse no Facebook que "um povo tem o direito de defender sua língua e sua cultura". E tem mesmo! Até aí tudo bem! Espero que esse post seja lido com atenção por quem tem interesse, pois os brasileiros muitas vezes se precipitam julgando textos e ideias...

Como eu já falei, sou simpático não apenas aos québecois, mas a toda a população francófona do Canadá. Muitas das contribuições humanas, culturais e artísticas que fazem o país ser único vêm deles! Se eles não estivessem aqui, o país poderia ser uma cópia dos Estados Unidos - inclusive com os problemas da cultura norte-americana.

O problema da "questão québecois" não são os motivos pelos quais ela existe. É a forma como se tenta fazer as coisas e o que está por detrás disso. Porque na realidade, o movimento separatista está c* para língua e cultura. Apenas usa esse argumento para conquistar a simpatia e o voto da população francófona, e alimentar a raiva dela por quem não fala ou não entende francês... por enquanto... porque se tudo continuar como está a população imigrante supera a francófona algum dia...

Na minha opinião, o francês nunca esteve ameaçado na mesma intensidade do discurso dos separatistas. Tanto que em séculos de domínio colonial e em mais de 100 anos de Canadá independente, ele permaneceu vivo e forte. Sem qualquer lei para protegê-lo. E não apenas no Québec. O governo québecois, por sinal, se esquece de que há francófonos vivendo fora da província. Que são, em grande parte, descendentes de québecois que foram tentar uma vida melhor em outras províncias. E nada diz a respeito. Os franco-ontarianos, que são bem numerosos em Ottawa e no leste de Ontario, dizem que o Québec não está nem aí para eles. E ainda há os francófonos de New Brunswick e de Manitoba.

As leis geram mais antipatia do que promovem e protegem a língua e a cultura. No Québec, produz-se coisas como a série Language Police, no YouTube. E aqui no Canadá o povo ri muito disso. E os dois "agentes defensores do francês" são engraçados de tão trapalhões. Deixo aqui um episódio...



 E quem quiser ver toda a série no YouTube, está aqui!

A beleza da língua francesa, a herança cultural francófona e o importância que tudo isso tem para aquelas pessoas, que são a meu ver a real causa da sua preservação, ficam em segundo plano... Não deveriam.

Além disso, o Québec não é só dos francófonos! Sou favorável a que as escolas públicas da província ensinem francês e inglês (e os idiomas dos aborígenes nas regiões onde eles vivem), e que os idiomas das comunidades imigrantes sejam preservados e valorizados... sinceramente, impor uma língua e uma cultura através da destruição do "outro" é algo que não condiz com o espírito multicultural canadense. Que québecois como Pierre Elliott Trudeau, primeiro-ministro e pai do atual primeiro-ministro Justin Trudeau (que é de Ottawa mas construiu carreira no Québec), tentaram levar para todo o país através da promoção do bilingualismo. E tem que ser assim mesmo: que toda a população do Canadá tenha acesso ao francês e à cultura francófona que também é muito importante para seu país!

Enfim... o que os caciques do Parti Québecois desejam, como muitos políticos de qualquer partido, é poder dinheiro. Porque com todas as medidas, afastaram os empresários anglófonos e movimentaram-se para tomar seu lugar... Não conseguiram a posição predominante que o Québec tinha na economia e na política do país, mas ganharam muito dinheiro.

Isso ficou claro para a população quando, nessas eleições de 2014 em que o partido buscava a maioria (e mais um referendo), um homem chamado Pierre Karl Péladeau inscreveu-se no partido, candidatou-se a uma cadeira do Parlamento (foi eleito) e começou a falar de separatismo. Pierre Karl Péladeau é um dos homens mais ricos do Québec. É uma espécie de Roberto Marinho québecois... dono do grupo Québecor... leia-se Vidéotron (telefonia celular, internet, TV a cabo), TVA (televisão em francês), Le Journal de Montréal/Le Journal de Québec... E como empresário, pratica tudo aquilo que a população francófona não aprecia... principalmente combater os sindicatos...

E com a retirada de Pauline Marois, Péladeau tornou-se o líder do Parti Québecois no Parlamento provincial!!! É esse o homem que ficou à frente de um partido social-democrata que se diz à esquerda?????????


E vale ressaltar que vários figurões do Parti Québecois são milionários. Veja só a "casinha" que a ex-primeira ministra Pauline Marois e seu marido empresário venderam recentemente em Ile-Bizard:


Madame Marois, por sinal, teria sido flagrada dirigindo seu "carrinho de pobre" pelas estradas...


Vendo isso tudo, eu não consigo deixar de pensar no meu, no seu, no nosso Brasil... Pelo menos lá, todos falam português.


Por volta dos anos 60, várias transformações ocorreram no Québec. A população francófona havia crescido exponencialmente, com uma taxa de natalidade que podia a chegar aos 20 filhos por mulher (sem exagero!), e ocorreu a chamada "revolução tranquila" (revolution tranquille ou quiet revolution). Que nem sempre foi tranquila. Durante os governos dos primeiro-ministros Jean Lesage e Robert Bourassa, o governo provincial retirou da Igreja Católica o controle sobre os setores de educação e saúde. Estatizou várias companhias que exploravam a energia elétrica na província e transformou-as na grande Hydro-Québec. E promoveu transformações de cunho trabalhista, favorecendo a sindicalização e promulgando tanto um novo código trabalhista como um novo código civil, sendo que este último consagrava a igualdade entre os cônjuges (que até então não existia).



Nessa época, o nacionalismo québecois, que antes era uma simples ideia na cabeça de algumas pessoas, ganhou força. Com as reformas econômicas iniciou-se uma política denominada mâitres chez nous ("os chefes dentre os nossos"), pela qual os cargos de gerência das novas empresas estatizadas deveriam pertencer à população francófona e não à minoria anglófona que até então dominava a economia. Ao mesmo tempo, grupos mais radicais começavam a pregar a separação do Québec do resto do Canadá. Destacavam-se:

- o Parti Québecois (Partido Quebecois), formado por iniciativa de René Levesque, um deputado provincial até então vinculado ao Partido Liberal;

- a Front de Libération du Québec (Frente de Libertação do Québec), marxista e terrorista. Esse grupo foi responsável pelos sequestros de um diplomata inglês e do ministro do trabalho (que foi assassinado pelo grupo) e pelos atentados a bomba em diversas partes de Montréal entre 1970 e 1971.

Antes disso, ocorreu a Exposição Mundial de 1967 em Montréal. Ela representou o apogeu de um Québec cosmopolita, bilingue e moderno... e trouxe grandes transformações para a cidade (como o metrô!) mas Charles de Gaulle, o presidente da França, causou furor ao bradar: "Viva o Québec livre!"


Nos anos 70, a influência do Parti Québecois cresceu ao mesmo tempo em que as primeiras leis francófonas foram promulgadas. Em 1974, ainda em tempo de governo do Partido Liberal na província, foi promulgada a Lei 22. Ela declarou o francês como único idioma oficial do Québec. E assim sendo, ele deveria ser predominante nos serviços, na sinalização comercial, nas relações de trabalho de todas as empresas que tivessem negócios com o governo provincial, nos Poderes Legislativo e Judiciário e nas escolas. Só receberiam educação (pública) em inglês as crianças que demonstrassem ter conhecimento suficiente dessa língua.

Finalmente, no fatídico ano de 1976, o Parti Québecois obteve a maioria no Parlamento provincial pela primeira vez. E imediatamente promulgou a famosa Lei 101, ou Charte de la langue française. O documento legal que instituiu, dentre outras bizarrices:

- que somente as crianças filhas de pelo menos um cidadão canadense que tivesse recebido sua instrução em inglês no Canadá poderiam ser matriculadas nas escolas públicas anglófonas;
- que toda a sinalização comercial, inclusive os nomes das empresas, deve ser predominantemente francês;
- o controverso Office Québecois de La Langue Française, também conhecido como "polícia linguística"... um órgão capaz de punir e multar quem não estivesse cumprindo a lei.

E em 1980, deu-se o primeiro referendo para separar a província do Canadá. Ele foi derrotado com 60% dos votos para o "não".

Tentaram de novo em 1995. Quase deu. O "não" venceu por margem mínima.

Aí, já nos anos 2010, uma senhora chamada Pauline Marois tornou-se líder do Parti Québecois... Graças a algumas trapalhadas do Partido Liberal do Québec, sobretudo ao aumentar as semestralidades do ensino superior na província, o Parti Québecois tornou-se situação mas numa condição minoritária. E o que fizeram? Quando sentiram uma pequena possibilidade de obter a maioria do Parlamento e promover o terceiro referendo, Pauline Marois convocou eleições provinciais.

Nessa mesma época, o Parti Québecois queria banir os símbolos religiosos no serviço público provincial. Um absurdo que provocou, com razão, a ira das comunidades muçulmana, hindu e judaica.



Os membros do partido devem se arrepender de tudo isso dia e noite, porque o partido sofreu uma histórica derrota e ela mesma, Madame Marois, foi derrotada em sua circunscrição e perdeu sua "humilde" cadeira de deputada provincial.

O povo do Québec estava cansado do separatismo e decepcionado com os principais líderes do partido... por motivos que vou expor mais adiante.



E quais foram os efeitos de todo esse movimento? Por exemplo:

1. a debandada dos québecois anglófonos. É importante lembrar que a população francófona jamais esteve sozinha no Québec. Há uma significativa minoria anglófona que não podia ser inteiramente responsabilizada culpada pela opressão histórica dos francófonos e que tinha raízes antigas e bem consolidadas na província. A partir de 1976, eles começaram a migrar para outras províncias;

2. como as empresas privadas que tivessem qualquer relação comercial com o governo da província deveriam ser gerenciadas apenas por pessoas cuja primeira língua fosse o francês - não bastava falar francês -, muitos anglófonos foram obrigados a migrar para não perder seus empregos!

3. grandes empresas fundadas e sediadas em Montréal transferiram suas principais sedes para Toronto. O Banco de Montréal é um exemplo. Toronto, que não era a principal cidade do Canadá, agradeceu e prosperou com o separatismo québecois. 

4. a decadência econômica do Québec, e uma crescente dependência do resto do Canadá.

5. uma enorme perda de cérebros e talentos para outras províncias do Canadá e outros países.

Muito bem... e o que eu penso disso tudo? No próximo post!!!



(Este assunto é complexo, então o que pretendo aqui é passar minha opinião)

Nenhuma província canadense é tão controversa quanto o Québec. E o motivo é simples: o francês. As leis francófonas, que dão a impressão de que a província faz os imigrantes falarem francês à força. E faz mesmo...

Na minha opinião, a cidade de Montréal seria o melhor lugar para se viver no Canadá se não houvesse essas leis francófonas. É uma linda cidade, com uma arquitetura maravilhosa, com muita arte e cultura, talvez a melhor gastronomia do país, uma urbanização compacta e bem adequada às tendências mais modernas... bom transporte coletivo... e é cosmopolita, com muitas comunidades imigrantes... mas o governo provincial e o tal do francês complicam tudo.

É importante dizer que eu falo francês, que sou simpático à população franco-canadense como um todo e que nunca tive problemas sempre que fui ao Québec. Mas não sou defensor da ideia de que obrigar as pessoas a falar uma língua ou obrigar empresas a utilizar traduções em francês para seus nomes por meio de leis protege essa língua. Na verdade, isso pode criar muita antipatia por parte dos imigrantes contra a língua francesa. Que não merece isso. Quem merece é o governo provincial, bem como os separatistas e partidários mais radicais da francofonia. Por tudo isso, o Québec é muito antipatizado e às vezes faz por merecer. 


O Québec de hoje construiu-se em torno de uma ideia meio estranha de "nós e eles"... ou seja, da imposição das aspirações e vontades de um grupo de pessoas - que acabou sendo majoritário, ainda que repleto de diferenças - sobre todos os grupos minoritários. Sim, eu disse "repleto de diferenças" porque é hipocrisia dizer que eles são um grupo puro de descendentes dos primeiros colonizadores que chegaram com Jacques Cartier a partir de... 1534! Como se um bom número deles não possa ter ancestrais britânicos, aborígenes ou sabe-se lá de onde... Até porque os franceses não foram os primeiros a habitar essa terra. Os povos Algonquin, Cree, Iroquis e Inuit já estavam por lá. Portanto, só para começar, essa história de "nós e eles" não cola muito.

O território da província foi irremediavelmente perdido para os ingleses após a Guerra dos Sete Anos, aproximadamente em 1763 (os franceses aparentemente estavam mais interessados em manter colônias mais lucrativas para produção de especiarias) e desde então foi "contaminado" pelo "inimigo" inglês e por sua língua. Porém, a primeira situação inusitada: os ingleses permitiram que o francês se preservasse no Québec!

Depois da independência do Canadá em 1867, foi a mesma coisa... O francês foi preservado entre as populações francófonas. No meu entender, a província tinha na época uma importância econômica e política tal que o governo federal nunca teve interesse em eliminar o francês. Foi um momento de grande "contaminação" para o francês québecois pois os negócios eram conduzidos em inglês, bem como a vida política federal. Na época, Montréal era a cidade mais importante do país. Bem mais importante do que Toronto. E ao que consta, já era uma complexa torre de Babel onde o francês, o inglês e as línguas dos imigrantes que chegavam de toda parte se misturavam.

Montréal em 1930

A população franco-canadense tinha interesses distintos dos anglo-canadenses. Isso se fez sentir com mais força durante as guerras mundiais, quando o Canadá participou sobretudo por lealdade à Inglaterra e houve movimentos de circunscrição obrigatória para o envio de tropas canadenses. Os québecois não queriam lutar pela Inglaterra e tampouco pela França (pois consideram que a França os abandonou) e rebelaram-se mais de uma vez contra a obrigatoriedade do serviço militar em tempo de guerra. Outra questão dizia respeito à economia. A maioria da população da província era composta por pessoas que falavam francês, mas os negócios estavam nas mãos de anglófonos...

Faziam de tudo para os franco-canadenses irem para a guerra...
Bom... logicamente há mais detalhes envolvidos nessa questão, mas temos aí alguns dos fundamentos que motivaram uma sequência de acontecimentos: a Revolução Tranquila dos anos 60, a emergência do Partido Quebecois (Parti Quebecois), a adoção das "leis francófonas" e os dois plebiscitos para separação do Canadá.

Logo, logo eu volto com a segunda parte desta série de posts sobre o Québec!






Parabéns! Então você conquistou a sonhada residência permanente ainda no Brasil!

Comemore muito!

E a tentação para sair desse país deprimente e correr ao encontro da esperança e da vida nova por aqui estão a mil, não?

É, eu sei. Já passei por isso. Mas escute esse meu conselho antes de sair loucamente em busca de uma passagem...

Se possível, chegue aqui no mês de abril.

Mas por quê? Não aguento mais! Não dá mais para ficar aqui!

Chegue em abril pelo seguinte:

1. Você provavelmente não faz ideia do que é o inverno canadense. Ele é superável, mas costuma ser inclemente com recém-chegados que vêm do Brasil despreparados para ele. Pessoas que não têm nem mesmo um agasalho adequado e perigam se expor a temperaturas de -10, -15, -20 graus sem proteção.
Não têm um par de botas e já precisam sair caminhando pela neve.
Chegam e precisam correr para comprar tudo com urgência... mas mal conseguem sair de casa.
Fora que o inverno canadense é sempre imprevisível e a chance de você comprar sua passagem para um dia de tempestade ou de frente fria sempre existe. Dependendo do caso, até os vôos para Toronto são cancelados.
Em abril, o pior já passou;

2. Os imóveis começam a ficar disponíveis para aluguel em abril, quando o ano escolar termina e os estudantes vão embora. A disponibilidade vai aumentando até julho/agosto, quando eles voltam e quando as mudanças são facilitadas pelo clima. Chegando em abril, você terá tempo de procurar um imóvel com mais calma;

3. Se você tiver filhos, chegará quando o ano escolar estiver terminando e terá tempo de encontrar uma escola para as crianças, além de matriculá-las para o início do ano escolar.

Não seja teimoso. Tenha calma! O mais importante, que é a residência permanente, você já garantiu. Sua saída do Brasil está mais do que certa e você estará chegando para ficar. Dessa forma, aproveite seus últimos tempos no Brasil! Desfrute de tudo que há de bom por aí... sua família, seus amigos, o calor do verão... Em breve, você estará aqui sentindo saudades!

Abril, mês de primavera... de renovação da vida por aqui com o fim definitivo do inverno e as temperaturas subindo... esse é o melhor mês para chegar!


Pergunta: Alexei, você então é contra quem vem para o Canadá para fazer college pensando em obter a residência permanente?

Resposta: Não sou contra as pessoas que vêm estudar no Canadá para fazer College com intenções de imigrar. Sou contra o sistema que permite que pessoas venham para cá com esse pensamento. E isso inclui desde as agências e empresas de intercâmbio e consultoria que atuam de forma inescrupulosa fazendo as pessoas pensarem que é fácil e garantido até a própria imigração canadense, que não é totalmente inocente nessa história.
Mas também sou contra as pessoas que utilizam dessa via para vir para cá mas muitas vezes nem mesmo frequentam o College. Estudar não lhes interessa. Ficam por aí aplicando golpes e tentando dar jeitinhos para conseguir a residência permanente. Resvalam na ilegalidade, isso se não caem nela. São uma minoria dentre os portadores de visto de estudante, mas incomodam e queimam o filme.


Pergunta: Então por que você bate tanto nessa tecla dos colleges?

Resposta: Porque muitos brasileiros que vêm dessa forma não correspondem ao perfil da maioria absoluta dos estudantes internacionais que vejo ao vivo e a cores no Algonquin College: jovem, solteiro, sem filhos, financeiramente dependente das famílias (que geralmente têm um bom nível financeiro e lhes garantem uma relativa tranquilidade por aqui). Além disso, esses estudantes ainda não completaram sua formação. Por isso, seu objetivo mais importante para hoje não é obter residência permanente aqui. É estudar mesmo.
Os chineses e indianos, que correspondem à maioria absoluta de estudantes internacionais nas escolas do país (clica aqui pra ver... 48%), não raro têm esse perfil.
Piadas comuns entre quem faz negócios envolvendo estudantes internacionais em Ottawa:
- "Condo de luxo perto de universidade? Anuncia em mandarim que sai rapidinho!"
Piada comum em Ottawa:
- "Tá vendo aquela Mercedes (ou BMW, ou Audi, ou Porsche) novinha? Aposto que tem um chinês dirigindo!" (e muuuuitas vezes tem mesmo!)
Os brasileiros, por sua vez, podem fugir um pouco desse padrão de estudante jovem, solteiro, sem filhos, ainda sem formação completa e financiado pelas famílias. Alguns já estão na casa dos 30 anos ou mais, já completaram suas formações no Brasil, já não dependem financeiramente das famílias, já estão casados e já têm filhos. É claro que dentre eles há pessoas que gostariam de aproveitar a oportunidade para mudar de carreira ou explorar outros talentos... têm todo o direito e fazem muito bem em vir! Mas muitos enxergam o college simplesmente como uma brecha que lhes permite qualificar-se para obtenção da residência permanente, ou vêm completamente iludidos acreditando que basta fazer o college e a residência permanente será, ou quase será, automática.


Pergunta: Mas eles não têm o direito de tentar?

Resposta: Têm. A possibilidade existe para ser aproveitada. Mas quem parte atrás dela precisa saber que fazer um college e obter a residência permanente pode ser uma aventura comparável a escalar o Monte Everest. É preciso ter um planejamento muito bem feito e a total consciência de que há riscos. Os problemas podem vir ou podem não vir, e você precisa saber como lidar com eles se eles vierem. A partir da experiência de algumas pessoas que estão aqui tentando, vejo diariamente como o processo é lento, árduo e caro. Pode ser até enlouquecedor! Por isso me preocupo, porque há pessoas vindo sem saber exatamente o que as espera. São movidas por sua aflição - ou desespero - para sair do Brasil e recuperar o direito de sonhar e muitas vezes não planejam com frieza... Desfazem-se de seus patrimônios e vêm carregando a família. Agora imagine se a residência permanente não vier ou se o dinheiro acabar? Um college pode custar uns 40 mil reais por ano só em tuition fees para estudantes internacionais. Você pode se ver sem dinheiro, sem possibilidade alguma de ficar aqui e sua única saída será voltar para o Brasil sem a mesma estrutura que tinha antes.
A decisão é sua, mas minha obrigação é de te alertar para isso.


Pergunta: Alexei, você sabe que os estudantes internacionais movimentam a economia canadense e que isso pode alimentar todo um sistema?

Resposta: Sei sim. Sei muito bem! Mas da mesma forma, sei que há gente um tanto quanto inescrupulosa nessa corrente de negócios. Há agências de intercâmbio e consultores de imigração que atuam agressivamente pela internet fazendo propaganda desse projeto "college => residência permanente" simplesmente porque ele é mais lucrativo. Porém, já soube de pessoas que vieram dessa forma e que talvez poderiam ter vindo de outra forma que a médio e longo prazo talvez lhes ajudasse mais... como fazer um MESTRADO ou um DOUTORADO por aqui. Inclusive porque uma pós-graduação sempre contribui muito para a formação de uma pessoa. O college, nem tanto. Ele só vai contribuir se você resolver seguir uma outra carreira, o que tem prós e contras. Então, planejamento e estratégia são suas maiores armas na hora de entregar ou não o dinheiro acumulado em uma vida de esforço e trabalho para alguém que "ajuda a realizar seu sonho canadense".
Tem havido muita demanda para imigração, há muita gente querendo sair do Brasil e vir para o Canadá e por isso mesmo o número de oportunistas só cresce.


Pergunta: Então é melhor não vir para fazer College?

Resposta: Se sua intenção mesmo é imigrar, esgote todas as outras possibilidades primeiro. Pode ser que você tenha uma chance de obter a residência permanente em algum processo provincial, na categoria self-employed... Mas se não houver outra chance, a decisão é sua. Os riscos serão todos seus. Eu nunca vou dizer: "não venha". Ao contrário, direi: "venha, mas pense duas vezes e tenha uma estrutura para te amparar se não der certo".


Pergunta: Por que você faz isso?

Resposta: Porque quero dormir de consciência tranquila e, por menos que eu ache que deva, quero ajudar de alguma forma. Você pode achar que não... que eu sou um destruidor de sonhos... Pode vir me agredir e me ofender... Mas talvez um dia verá que o verdadeiro destruidor de sonhos é aquele cara que te vende um sonho que não existe ou que está simplesmente maquiado para aparecer bonito na foto, pega o seu dinheiro e depois se algo der errado o problema é só seu.
Eu vim para o Canadá já como residente permanente após um processo de imigração que durou quase três anos, da decisão de ir embora do Brasil até a nossa chegada. Não foi fácil, embora as coisas tenham sido bastante amortecidas pelo fato de que quase toda a experiência que serviu para que me aceitassem e escolhessem tivesse sido acumulada sem intenção de vir para cá.

Mas não foi fácil.

Por saber bem tudo que passei e precisei fazer na vida para chegar até aqui me sinto bastante preocupado e chateado vendo essa onda louca de brasileiros querendo vir ou vir para cá de qualquer jeito...

Antes que o mundo despeje todo o seu ódio para cima de mim: não é que eu seja contra as pessoas que vêm pela via dos colleges.  Se não há porta aberta ou brechas, ninguém entra. Sou contra a falta de critérios da imigração canadense, que eventualmente permite que uma pessoa receba um visto de estudante sem demonstrar que esse estudo trará qualquer benefício direto à sua vida além de uma incerta possibilidade de residência permanente no futuro.

Ou seja: as pessoas que vêm estudar somente como um pretexto para imigrar. O curso não significa absolutamente nada para elas. Não pretendem aproveitar a oportunidade para conquistar uma nova carreira ou aprimorar-se em algo. Muitas vezes, nem estudam de fato. Ficam aproveitando brechas que surgem aqui e ali para ficar fingindo que estudam inglês ou algo do tipo... mas vêm mesmo loucos para trabalhar de cara. Sem falar que trazem a família inteira. Comportam-se como possuidores de um visto de imigrante e sentem-se certos de que ficarão aqui por toda a vida.

Se os oficiais de imigração vissem as páginas dessas pessoas no Facebook... participassem de grupos de imigrantes brasileiros... etc... saberiam exatamente quais são as intenções dessas pessoas. Tenho ouvido cada história... fico sabendo de cada coisa... Nem preciso que outras pessoas me contem. Muitas vêm direto me deixando mensagens inbox ou e-mails... que hoje em dia nem me dou mais o trabalho de responder.

Quando eu vim, as coisas não estavam desse jeito. Mas ozmano e sei lá quem mais fizeram tanto auê que as hordas começaram a chegar.

Essas pessoas vêm para cá e às vezes comportam-se como se já tivessem a residência permanente garantida. Sentem-se canadenses e nem concebem a possibilidade de ter que dar meia-volta. E vêm dispostos a competir com quem precisou se esforçar de verdade para estar aqui com tudo certo, aproveitando-se da estupidez local que resultou na "barreira da experiência canadense". Contam com a boa vontade e a bondade dos donos da casa, que nem sempre percebem que estão contribuindo para uma situação meio irregular em seu sistema de imigração e podem estar dando um tiro no pé.

Os canadenses não percebem que o Brasil chegou ao fundo do poço por culpa única e exclusiva dos brasileiros, de seus valores, de suas atitudes e de sua cultura. E que essas pessoas às vezes não estão nada dispostas ou preparadas para mudar vivendo aqui. Querem os benefícios de viver no exterior mas nem sempre querem contribuir para construir e melhorar o que há por aqui.

Querem criar uma Miami gelada, seja na costa do Pacífico, seja na bela província... e até mesmo na isolada pradaria. Querem realizar seu sonho canadense, que em muitos aspectos simplesmente tem feições materiais. Esses brasileiros, fazendo o que fazem, perigam contaminar o Canadá. Depois, que os canadenses não chorem nem reclamem se começarmos a ter problemas.

Antigamente, quando não estava na moda imigrar para o Canadá, quem vinha geralmente era muito bem qualificado. Enfrentava o processo de imigração e consequentemente estava mais preparado para se integrar. Hoje, basta ter dinheiro para pagar um curso. Mas a intenção não é estudar e voltar para o Brasil. É ficar de vez.

Estão chegando - e tentando ficar - sem terem sido escolhidos. De uma certa forma, a sensação que fica é a de que essas pessoas estão furando a fila. Ou são penetras numa festa para a qual não foram convidadas.

Seriam elas "os melhores" que o Canadá, no discurso, busca?

Dizem que o CIC está abrindo os olhos e aumentando as negativas de vistos, mas talvez já seja tarde demais.

... e já pensa em guardar o casaco pesado e as botas (que são o que mais incomoda), o inverno vem te dizer que só acaba quando realmente acaba...

Há dias de temperatura bem positiva e até mesmo na casa dos dois dígitos. E há outros dias com sensações térmicas de -20 graus.

A implacabilidade da mãe natureza pode ter sido um dos fatores pelos quais o Canadá tornou-se um grande país. Mesmo hoje, com toda a tecnologia de calefação e agasalhos, o inverno é imbatível e está sempre aí para te mostrar o que pode fazer se você não respeitá-lo e não se submeter aos seus caprichos. Por isso, esse povo desenvolveu uma característica da qual eu pouco ou nunca tinha ouvido falar no Brasil mas que aqui é repetida à exaustão: resiliência.

O brasileiro, com seu "clima abençoado por Deus" - sqn -, não aprende a desenvolver um sentido de solidariedade com o próximo a partir dos caprichos da mãe natureza logo ali fora. Não há a preocupação imediata com a própria sobrevivência se você der uma inocente saidinha de meia hora lá na rua sem os devidos equipamentos. Por isso e mais um tanto de coisas, a jogada no Brasil é "se vira, é cada um por si e Deus por todos, mas de preferência por mim". Quem pode mais, pode mais, e quem não pode, "chola mais"!


As fotos que estão neste post foram feitas por mim ao longo deste inverno, na área central de Ottawa. As temperaturas estavam bastante abaixo de zero...

Peço desculpas desde já para os que esperam apenas ver o lado cor-de-rosa do Canadá e buscam um mundo onde não existem problemas sociais... mas acredito que minha obrigação é mostrar a vocês o Canadá como ele é para não iludi-los. Antes de tudo, preciso deixar claro que o país é muito bom! Mas isso não quer dizer que você não verá situações tristes por aqui.

Verá, sim. Eu não me importo mais com os que me chamam de "destruidor de sonho canadense". Não posso destruir o que não existe...

A violência urbana (fora do trânsito, que é bem complicado) por aqui é bem rara, mas existe. Ela faz parte do ser humano, então onde ele está, ela pode acontecer. A miséria, a pobreza extrema, a discriminação, a injustiça social... tudo isso pode ser encontrado por aqui. 

O governo canadense tem inúmeros programas sociais e a sociedade é muito mobilizada. Só fica desabrigado e passa fome quem quer, pois há abrigos e instituições oferecendo refeições gratuitas todos os dias. Mas mesmo assim há pessoas mendigando nas ruas e morando debaixo da ponte ou na rua. Por quê?

Os motivos são vários e há pelo menos uma questão bem complexa envolvida - a dos aborígenes, onde SIM, todos os canadenses de origem europeia carregam uma enorme herança de vergonha e culpa - mas as famílias desestruturadas com histórico de violência e abuso, além do álcool e das drogas, são uma origem bastante possível.   



Não se vêem crianças nessas situações. Se for preciso, elas são retiradas dos pais e encaminhadas para adoção por famílias estruturadas. E é bem comum ver as mesmas pessoas, nos mesmos lugares de Ottawa - geralmente o centro, porque tem um afluxo maior de pessoas - fazendo as mesmas coisas. Situações de alguma violência, só presenciei uma ou duas vezes. De resto, elas estão lá pedindo dinheiro para fazer compras na liquor store ou no traficante. Não acredite que estão pedindo dinheiro para comprar comida... embora, se quiser, compre comida e dê a essas pessoas. 

O medo generalizado que sentíamos no Brasil não acontece por aqui. A chance de você ser assaltado ou sofrer violência em Ottawa é ínfima e só poderá ocorrer se você tiver o azar de encontrar alguém em pleno estado de insanidade mental ou completamente louco pelas drogas. Porém, não se iluda: o país não está imune a problemas sociais e cenas tristes como as das fotos que aqui estão podem surgir diante dos seus olhos a qualquer momento. 


O transporte coletivo em Ottawa, pelo menos na minha experiência, pode ser considerado entre razoável e bom... mais para bom do que para razoável. Mas vejo um bocado de gente reclamando da OC Transpo. Os ônibus não são frequentes em várias rotas - inclusive na 7 e na 14 que atendem o centro, descendo pelas ruas mais importantes (respectivamente a Bank e a Elgin) -, o serviço de ônibus é deficiente para determinadas regiões da cidade, os ônibus volta e meia estão lotados, os ônibus atrasam ou adiantam sem qualquer coerência com o que informa o aplicativo... Sem falar no inverno, quando o serviço é caótico.

Mesmo que eu sempre dê um descontozinho para a OC Transpo, pois utilizei o transporte público no Rio de Janeiro, concordo com algumas das reclamações e faço eco. Comparar Ottawa com o Rio, no final das contas, não faz sentido nenhum. Aqui, eu sou um pagador de impostos que utiliza os ônibus com uma boa frequência e gostaria que o sistema fosse da melhor qualidade. Ora, estamos no Canadá! E esta é a capital federal! A cidade tem obrigação de oferecer aos seus habitantes e visitantes um sistema de transporte público world-class, comparável aos melhores da Europa!

Mas as coisas não são exatamente assim.

Entendo que o sistema tem buscado melhorar e deve melhorar muito com o advento do metrô na parte central a partir do ano que vem. E que mais e mais pessoas estão preferindo alternativas ao carro particular na cidade. Mas como prover um bom serviço de transporte coletivo numa cidade do século XIX rodeada por bairros mais recentes já criados para carros e ainda por subúrbios que não originalmente não faziam parte da cidade mas foram anexados a ela em 2001... e que transformou-se numa complexa teia urbana onde há até um cinturão verde criado nos anos 50 para conter os subúrbios mas que nada faz além de complicar as coisas, já que os subúrbios estão além dele?

Como planejar o transporte coletivo em uma cidade que tem uma significativa porção de seu setor produtivo privado, as empresas de tecnologia, na ponta de um subúrbio que está a 45 quilômetros do outro extremo da cidade (essa é a distância entre o polo de empresas de tecnologia de Kanata e a estação Trim, em Orléans)? E cujo maior empregador é o governo federal, cujas sedes estão espalhadas por alguns "campus" nas duas margens do rio Ottawa?

O sistema de transporte coletivo de Ottawa (e Gatineau, que é administrado pela STO e se integra com a OC Transpo ao longo das ruas Rideau e Wellington, passando pelo Parlamento) funciona a partir de um sistema de corredores rápidos com estações que distribuem linhas locais. Para você entender, pense nos aeroportos do mundo. Há os grandes aeroportos que recebem vôos internacionais, e de onde as pessoas fazem conexões para suas cidades (e de lá podem ainda pegar vôos regionais). É bem assim: há a transitway, em forma de "T", seguindo nas direções leste-oeste entre Orléans e Kanata (ou Barrhaven), e norte-sul entre o aeroporto internacional e o shopping Rideau Center (onde ocorre o encontro das linhas). Em princípio, o objetivo da transitway é o de servir aos campus do governo federal, às três maiores universidades da cidade (University of Ottawa, Carleton e Algonquin College), aos dois maiores hospitais, ao aeroporto e à estação de trens.

O diagrama da Transitway de Ottawa... clique para aumentar


Morar perto da transitway é uma ótima opção em Ottawa, pela facilidade de deslocamento usando poucos ônibus. Por exemplo: quem mora no bairro de Sandy Hill, separado do centro pelo Rideau Canal, não precisa pegar mais do que um ônibus para ir até boa parte da cidade. Mas nem todos os bairros residenciais e nem todas as áreas industriais e comerciais têm fácil acesso aos corredores rápidos e os deslocamentos podem ser mais difíceis... sobretudo nos dias mais frios ou com mais neve ou chuva congelada.

Mas por que não melhorar o acesso dos ônibus a essas áreas com mais carência de serviço? Simples: porque não há demanda que justifique um aumento no número de veículos servindo essas áreas. Elas têm baixa densidade populacional e o uso de automóveis particulares é dominante por ali. Nas áreas de maior concentração populacional e menor uso de carro - leia-se downtown core - o serviço é mais frequente... 

E como em qualquer grande cidade do planeta, os imóveis situados perto do melhor transporte coletivo costumam ser mais caros para aluguel e compra. E menores em área, pois a densidade populacional é bem maior...

Até onde vejo, a própria população dessas áreas menos servidas não demonstra muito interesse em se mobilizar para intensificar ou melhorar os serviços de transporte coletivo por ali. Há até quem reclame da presença dos ônibus. Quem não tem carro ou se muda ou se vira! A prefeitura vem fazendo alguma coisa, como derrubar a exigência de um número mínimo de vagas de estacionamento para as construções (era uma lei de 1964).

Cada povo tem o transporte coletivo que merece. Se Ottawa tem um sistema meio problemático em alguns pontos, pode ter certeza que a culpa maior é da população da cidade. Que talvez não lute por melhorias como deveria.

E por que eu estou dizendo isso tudo? Porque se um bom acesso ao transporte coletivo é importante, é necessário você saber onde terá isso para escolher onde morar. Então, para reduzir o nosso índice de reclamações e raiva contra a OC Transpo, vamos tratar de nos enquadrar a ela (e em todo caso, um pouco de resiliência e paciência sempre ajuda).

Nem sempre os imóveis mais baratos estarão perto da transitway, mas pesquisando você encontrará boas opções perto dela a um preço em conta... Para isso a regra é clara: pesquisar, pesquisar e pesquisar.

... E onde você recomenda que eu pesquise, Alexei?
... Depende! Você tem várias opções, para todos os gostos. Pode encontrar imóveis perto de estações de ônibus em Orléans, em Alta Vista, em South Keys, em Sandy Hill, em Vanier, no centro, em Little Italy, em Westboro, perto do shopping Bayshore, em Centrepointe, e mesmo em Barrhaven e em Kanata! Verifique todas as suas necessidades para fazer a escolha, que depende de diversos fatores... Quer proximidade da sua escola? Do seu trabalho? De escola para as crianças?

Eu recomendo que você dê uma olhada neste mapa, e depois verifique tanto no realtor.ca, no kijiji.ca, no padmapper.com ou no walkscore.com onde ficam os imóveis que mais lhe interessaram e compare! Uma distância de 500 a 800 metros de uma estação de transitway está OK!









Aqui no Canadá - em Ottawa, pelo menos - não é muito comum ver mulheres de 20 e poucos anos se relacionando com homens mais maduros. Vindo de um país onde isso é natural e os homens mais maduros são até bastante desejados, vejo isso com estranheza. Tentei indagar algumas mulheres canadenses mais jovens sobre isso e elas chegaram a responder que "uma menina de 20 anos com um cara de 40 é quase um estupro"... Na minha opinião isso cheira a preconceito puro, porque a idade pode ser apenas um número na vida da pessoa e não é crime se relacionar com alguém bem mais jovem, desde que seja maior de idade. Aqui no Canadá, 18 anos.

Porém, existe um tipo de relacionamento por aqui que envolve pessoas maduras e pessoas jovens. São os chamados sugar relationships ou sugaring, onde uma das partes é um homem ou uma mulher madur@, bem-sucedid@ profissionalmente e principalmente com uma considerável conta bancária. Do outro lado temos alguém jovem (muitas vezes estudante universitári@), que recebe dinheiro ou presentes para estar nesse relacionamento. Em alguns casos, sugar babies recebem mesadas polpudinhas ("allowances") dos sugar daddies ou das sugar mommas. De acordo com a Canadian Broadcasting Company, a média está em 4200 dólares por mês!

Estatisticamente, predominam nesse universo os homens maduros (sugar daddies) e as mulheres jovens (sugar babies). Na média, os sugar daddies têm 45 anos de idade (34% deles são casados) e as sugar babies têm 26 anos. 40% delas são estudantes universitárias buscando uma forma de pagar as tuition fees. Há uma grande reclamação por parte dessas jovens de que não têm dinheiro, de que estão apertadas financeiramente e por isso vão atrás dessa "forma" de pagar suas dívidas e financiar seus estudos.

Ottawa, sede do governo federal, é uma das cidades com maior incidência desse tipo de relacionamento no Canadá. Perde apenas para Calgary. Ah, e você vai me perguntar onde eu obtive esses dados, certo? Eles estão aqui e foram fornecidos à CBC por um dos sites mais populares entre os que buscam sugar relationships: o SeekingArrangement.com. Esse site pelo visto arrepiaria os pêlos de quem é feminista, porque desde o início já escancara que é para sugar daddies e para sugar babies do sexo feminino. Os benefícios desse tipo de relacionamento, ainda segundo o site, seriam:

Para os sugar daddies: haveria 4 sugar babies para cada sugar daddy registrado no site; possibilidade de um relacionamento ideal com alguém que corresponderia exatamente aos seus desejos; relacionamento sem compromisso de fidelidade.

Para as sugar babies: estabilidade financeira; ser mimada com jantares caros, presentes e viagens; possibilidade de se relacionar com homens experientes e capazes de contribuir para seu crescimento pessoal.

Nem sempre há sexo envolvido nesse tipo de relacionamento. Muitas vezes, os sugar daddies querem apenas companhia... ter alguém com quem se divertir, com quem sair... Mas tenho a impressão de que na maioria das vezes há sexo, sim... E nem sempre a experiência é boa para as sugar babies. Há um preço a se pagar para viver nesse mundo...

E você quer saber o que eu penso? Todos são livres para fazer o que bem entenderem, eu respeito quem busca esse caminho... mas penso que esse tipo de relacionamento, com ou sem sexo, é sim prostituição! Se formos atrás da definição desse termo no dicionário, encontraremos um outro significado:

- "To devote to corrupt or unworthy purposes - Merriam Webster's
- "Colocar interesses materiais à frente de princípios ou ideias" - Priberam

Será mesmo impossível uma mulher com seus 26 anos AMAR um homem de 50? Ou que seja lhe dar sua AMIZADE, se não houver romance ou sexo envolvido nisso? É realmente necessário haver dinheiro no meio? E para quem tem dinheiro e deseja ajudar outra pessoa não bastaria ser algo como um investidor sem estabelecer uma relação que aparentemente é afetiva, mas onde o dinheiro é a peça fundamental?

Qual é o preço que essas moças pagam? Será que algumas delas não perdem suas famílias, seus amigos - por não concordarem com esse modo de vida - e a oportunidade de amar alguém e construir alguma coisa baseada nisso?

Fico pensando o que seria de mim hoje, aqui no Canadá, se uma nave espacial viesse e abduzisse a Thaisa. Ou se eu não a tivesse encontrado pelo caminho e chegasse aqui sozinho, por qualquer razão, mas querendo encontrar uma companheira e ter filhos. Estou com 43 anos, quase 44. E se surgisse alguém com seus 28 anos? Essa pessoa me descartaria simplesmente e somente pela idade? Ou então olharia para mim pensando apenas em dinheiro? Sinceramente, eu odiaria viver essa situação.

É duro dizer isso, mas sempre que vejo alguma menina bonita passando por mim - aqui é fácil, elas estão em cada esquina - às vezes a enxergo como um monstro em potencial... pronto para ferir homens mais velhos que eventualmente se apaixonarem por ela simplesmente por ser "velho".

A sociedade canadense precisa evoluir nesse ponto. No Brasil, apesar de todos os interesses que podem estar embutidos, essa situação é mais aceitável. Eu mesmo sou 13 anos mais velho do que a Thaisa.

Para quem está no Canadá, recomendo ver este documentário que está sendo transmitido pela CBC. Foi feito por uma moça que resolveu partir para esse caminho para ganhar dinheiro, mesmo tendo uma companheira. As duas irmãs mais jovens dela também tentaram e no final todas desistiram. Para quem está no Brasil, espero que logo esse documentário vá para o YouTube.





Vejo muitas pessoas tentando formular teorias sobre os canadenses, talvez para compará-los com os brasileiros ou tentar se adaptar e se inserir a essa sociedade. Mas o que tenho aprendido é que as coisas não são bem assim, sabe? Eles são pessoas como eu e você... com limitações, complexidades e particularidades.

Sei que a questão é bem complexa, beeeem profunda e não cabe numa postagem rasa de blog... Mas vou lançar uns "drops" aqui, que servem apenas como exemplos... Um punhadinho de exemplos, que podem ajudar a nos fazer refletir sobre as teorias e mitos que formulamos sobre os canadenses... muitas vezes até mesmo na tentativa de mostrar "como eles são diferentes de nós, ou mesmo melhores".

- "Canadense é frio"... não não não! Muitos canadenses simplesmente respeita profundamente o espaço alheio e não entra onde não é chamado...

- "Canadense sempre pede desculpas"... nem sempre!

- "É difícil fazer amizade com canadenses"... não não não! Muitos são muito amistosos e receptivos. Talvez sejam um pouco mais lentos, mas sinto neles muita abertura. Muitos são bem genuínos e não te julgam pelo que você tem. Será que você está aberto a fazer amizades com eles?

- "Canadense é ingênuo"... às vezes eles podem se dar ao luxo de ser assim, mas nem todos são ingênuos. No mercado de trabalho, principalmente os que têm mais ambições, não são nada ingênuos. É preciso tomar cuidado com algumas pessoas.

- "Canadense é contido"... dê oportunidades a eles e sentirá a força dos tapinhas nas suas costas... Eles às vezes falam alto, riem muito (e bem alto)... e falam bobagem... etc... principalmente depois que tomam a primeira cerveja...

- "Canadense no trabalho parece robô"... não não não! Depende muito. Não é o que estou vendo. Ao contrário, tenho visto muita interação animada no ambiente de trabalho.

- "Canadense é certinho no trabalho"... nem sempre! Já vi situações em que eles sistematicamente chegavam atrasados e saíam mais cedo. E tiravam uns diazinhos de folga aqui e acolá. Desde que o trabalho esteja feito, não há razão para ficar na empresa sem fazer nada.

- "Canadense é certinho para seguir leis e normas"... a julgar pelo trânsito de Ottawa, por exemplo, nem sempre...

- "Canadense não joga lixo no chão"... cuidado para não fazer snow angels em qualquer lugar, pois pode haver bastante lixo embaixo daquela neve! Até copos do Tim Hortons!

- "Canadense não dá jeitinho"... o esquema dos planos de celular a preços mais baratos prova inquestionavelmente que não é bem assim...

O "x" da questão, aqui, é tentarmos deixar de nos ver como diferentes ou como inferiores porque somos do Brasil, do Terceiro Mundo, etc..., e começarmos a participar da sociedade multicultural daqui. E mesmo com as barreiras e dificuldades que enfrentamos, como a "experiência canadense", precisamos tentar nos integrar a eles da melhor forma possível. Mesmo que eles sejam os donos da casa, não quer dizer que queiram impor um único caminho para os imigrantes. Na verdade, eles tendem a respeitar o nosso sotaque, a nossa religião e a nossa cultura desde que não os incomodemos... Nem todos, claro... Enfim, o melhor a fazer é se deixar levar e aproveitar a experiência!






Passaram-se mais de dois anos do momento em que resolvemos vir para o Canadá. Foi uma longa caminhada... e mais longa ainda se pensarmos no que precisei fazer ao longo da vida para ter as qualificações que me garantiram a residência permanente.

Nós sempre sonhamos muito, mas sempre mantivemos os pés no chão. É preciso fazer assim para as coisas darem certo.

Pois bem, sempre me incomoda muito ver o clima de "vende-se sonhos" que alguns fazem com relação à imigração para o Canadá. Confesso que admiro o talento marqueteiro desses vendedores, mas a cada dia mais estou certo do quão perigoso é acreditar em tudo que eles falam. Principalmente diante do que vem acontecendo no Brasil. Chegamos a um ponto em que as pessoas perderam a fé na pátria e estão desesperadas. Muitas com toda a razão.

Vejo muitos brasileiros ávidos por manter seus sonhos vivos e me compadeço. Por isso mesmo sinto essa raiva quando aparece alguém batendo tanto nessa tecla para ganhar muito dinheiro vendendo algo que não necessariamente existe ou só existe pela metade.

Fazem você pensar que basta vir fazer um intercâmbio ou college para ficar aqui pelo resto da vida. O sonho está garantido, o sonho está realizado! Basta você abrir a carteira para pagar as fees - do college e dos vendedores de sonhos - e pronto! Bye Bye, Brasil!

Sim, mas eles nem sempre fazem o mais elementar... transmitir informações que podem ser facilmente encontradas na página do CIC! Como pessoas que ganham dinheiro com "imigração" podem transmitir informações erradas como volta e meia vejo por aí? Sem falar que alguns nem são legitimamente credenciados para exercer esse tipo de atividade no Canadá mas continuam dando seus jeitinhos para continuar na atividade! Quer tirar a prova? Nesta página, você vai achar a Celina Hui da Immi Canadá... ela está inscrita e regularmente autorizada a prestar serviços de consultoria de imigração para o Canadá! Mas ozmano e o realizado não estão nem perto disso...

Eles não te falam que quando você vem fazer um college ou um intercâmbio, nada garante a sua permanência!!! Você dependerá da boa vontade de um empregador que se disponha a ser seu sponsor munido de Labor Market Impact Assessment (LMIA), um documento que segundo a página do CIC deve comprovar que não há canadenses ou residentes permanentes qualificados para exercer aquele trabalho! Não se iluda: se você não for realmente excepcional, sempre haverá um canadense ou um residente permanente plenamente qualificado para o emprego na competição!

Além disso, o que há são os processos provinciais e o Express Entry. Moral da história: nada está garantido para quem vem fazer college! Só mesmo o estudo, desde que o aluno pague todas as tuition fees.

Para deixar tudo mais claro, não é que eu não quero que você venha. Não quero destruir seus sonhos. Só quero que você sonhe com os pés no chão e embarque nesse projeto com plena consciência dos riscos - que são altos - e uma estrutura que lhe dê segurança se algo der errado. Não venda tudo o que tem... é como você apostar todo o seu patrimônio numa única noite no cassino. Se ganhar, é só alegria... mas e se você perder? Sem falar que muitas vezes há famílias... crianças... envolvidas?

Enfim... Desconfie de alguém que quer te vender alguma coisa repetindo a palavra "sonho" como uma vitrola quebrada. Seus sonhos são legítimos, mas você não precisa dessas promessas um tanto quanto bombásticas para realizá-los. Basta a cabeça no lugar e os pés no chão.