2. Nossa partida do Brasil e nossa chegada ao Canadá: O LANDING

by 9:35 AM 3 comments

Num cenário de filme ou novela, imaginem a cena... Alguém nos perguntando: "Partida para o Canadá!" Com emoção ou sem emoção? Nós responderíamos "sem emoção, claro", e a pessoa retrucaria: "hoje não tem, infelizmente! É só com emoção!"

E foi exatamente assim conosco. Nossa partida ocorreu com muita emoção. Não apenas a emoção da despedida, mas muita apreensão e muito stress. Além de toda a louca correria das últimas semanas, que envolveu o medo de não conseguirmos alugar nosso apartamento no Rio - conseguimos! - e uma maratona médica que teve até extração de dentes de siso para a Thaisa dez dias antes da viagem - loucura, mas deu certo - as bagagens foram a principal causa dessa emoção.

Tínhamos direito, como qualquer passageiro de classe econômica na Air Canada, a uma franquia com duas malas de até 32 kg de peso e 1,58 m de dimensões lineares, uma mala de cabine e uma mochila ou bolsa. Só que desde o início sabíamos que levaríamos bagagem extra: em razão de suas dietas e de suas necessidades de alimentação saudável, a Thaisa comprou alguns eletrodomésticos de cozinha durante nossas viagens exploratórias e já os vinha usando no Brasil. Logicamente, queria trazê-los para cá.

E eu queria trazer os equipamentos de música que não vendi. Para resumir, vendi os instrumentos grandes e mantive os pequenos.

Telefonamos diversas vezes para a Air Canada no Brasil, e em todas as ligações os atendentes nos informaram que não haveria problemas em levarmos caixas com dimensões maiores a 1,58 metro. Desde que o peso fosse inferior a 32 kg, eles transportariam mediante o pagamento de US$100,00 por volume...

#soquenao...

Sabíamos que as companhias aéreas não transportam nenhum volume acima de 32 kg, mesmo que a pessoa esteja disposta a pagar por isso. E já nos estressamos bastante fazendo as malas e caixas em casa. No último momento, foram surgindo vários itens dos quais já tínhamos nos esquecido e lá iam eles entrando pelas malas afora... Álbuns de fotografia, roupas, livros com dedicatória, a minha coleção de revistas raras... etc. e etc...

Aí arranjamos um táxi Dobló para nos levar ao Galeão. Quando carregamos o carro, o motorista (sr. Mozart, muito simpático) se desesperou: com as caixas, não havia espaço para nada!

Mas graças a Deus, tudo coube lá dentro e chegamos bem ao aeroporto. Minha estratégia foi seguir para lá com dois dias de antecedência e nos hospedarmos no hotel Rio Aeroporto, que fica dentro do Terminal 1. Essa ideia nos salvou, porque...

... logo naquela quinta-feira haveria um vôo da Air Canada partindo e aproveitamos para ir até o guichê da companhia e confirmar informações sobre a bagagem. E veio a má notícia: "não transportamos caixas acima das dimensões! Para isso temos o cargo!"

O que fazer?

Partir para um shopping na Ilha do Governador e comprar malas!

Refazer as malas!

A pobre da Thaisa, que é excelente na arrumação de malas enquanto eu sou péssimo, praticamente não dormiu nesses dias... Resultado? Às 5 horas da manhã do dia da partida estávamos voltando para o quarto de hotel com todas as malas feitas. Todas com menos de 32 kg e protegidas com o plástico verde de uma das empresas especializadas em embalagem de malas. Era dia de ir embora e lá fomos nós, insones...

Às 16:00, estávamos diante dos guichês de check-in da Air Canada e fomos literalmente os primeiros passageiros a fazer despacho para aquele vôo! Queríamos fazer tudo com calma e sem incomodar os outros passageiros com tanta bagagem... Para cada mala extra, pagamos 120 dólares americanos...

IMPORTANTE: A AIR CANADA NÃO DÁ UMA FRANQUIA EXTRA DE BAGAGEM (UMA TERCEIRA MALA, POR EXEMPLO) PARA IMIGRANTES! SE ISSO ACONTECEU UM DIA, NÃO ACONTECE MAIS!

Embarcamos às 19:30 e às 20:15 o 767-300 decolou rumo à nossa nova pátria... Eu apaguei, enquanto a Thaisa (que não dorme em aviões) revelou-se portadora de uma força sobre-humana e encarou a viagem de 10 horas sem fechar os olhos!!!

O vôo foi bem tranquilo, e o serviço da Air Canada é muito bom! Só não gostei muito das poucas opções de entretenimento... no entanto, boa parte dos passageiros canadenses leva seus iPads e nem se importa com isso. As refeições foram bem razoáveis e o avião parecia estar muito bem cuidado.

Vimos o sol nascendo da janela do avião já em solo canadense, e por volta das cinco horas da manhã estávamos desembarcando em Toronto. Pouco depois, chegamos até a imigração, para passar pelo sonhado momento do landing! Foram três anos esperando por esse momento! A propósito, para quem não sabe, o termo "landing" significa a chegada oficial do novo imigrante ao Canadá e sua apresentação aos oficiais de imigração, confirmando sua condição de residente permanente. Esse termo se torna tão corriqueiro para os imigrantes que com o tempo nem nos damos conta de que muitas pessoas não fazem ideia do que é isso... Sorry!

Passamos inicialmente pelas cabines onde todos (inclusive os turistas) passam. Ali, avisei à oficial que estávamos chegando como imigrantes para fazer o landing. Ela simplesmente perguntou se estávamos trazendo mais de 10 mil dólares em espécie e se tínhamos "goods to follow" (ou seja, se iríamos trazer mais itens grandes de mudança... não iríamos) e nos enviou para uma sala à direita, onde fomos atendidos por outro oficial que verificou os passaportes, vistos e confirmações de residência permanente. Ele também perguntou se o endereço que constava no formulário de entrada no país (que nos foi dado dentro do avião) seria a nossa residência. É nesse momento que o endereço para envio dos PR Cards é confirmado. Dissemos que sim, e ele nos solicitou que esperássemos sentados num canto.

Levei então um susto: vi dois homens chegando algemados. Eles aparentemente estavam sendo deportados ou expulsos do país. Fiquei apreensivo: "será que houve algum problema com nosso landing?" Enquanto esperávamos, as pessoas com visto de estudante ou de trabalho iam passando pelos guichês da salinha. TENSÃO!!! Mas passados uns 25 minutos o oficial que nos atendeu fez um gesto para que viéssemos, disse que estava tudo ok e pronunciou as esperadas palavras:

- Welcome to Canada! Congratulations!

Antes da saída da sala, um terceiro oficial veio até nós e também nos deu as boas-vindas. Mais relaxado dos que seus colegas em razão das suas próprias funções (o que não quer dizer que eles fossem mal-encarados... apenas precisavam ser mais sérios), trouxe os formulários para solicitação do SIN Number e inscrição no plano de saúde público provincial OHIP e nos deu um livro chamado "Welcome to Canada" e também duas edições da revista "Canadian Immigrant". Agradecemos, passamos pela porta e a partir daí estávamos oficialmente landed!

Retiramos e re-despachamos nossas malas para Ottawa, e ficamos esperando na área de embarque. Teríamos quatro horas entre um vôo e o outro, o que foi ótimo por tudo o que precisamos fazer. A Thaisa finalmente pôde dormir um pouco e pudemos nos alimentar. Daí, foi pegar o Embraer 190 para Ottawa. Chegamos por volta do meio-dia.

Aí veio a questão: como transportar as malas até nosso apartamento temporário? Simples: há uma companhia de táxi operando no aeroporto Macdonald-Cartier e eles têm algumas vans! É bom lembrar que o termo "van", aqui, significa uma pick-up fechada de cabine dupla que transporta tranquilamente várias malas grandes. Basta ir até o ponto e solicitar uma. Eles chamam pelo telefone, se não houver nenhuma estacionada, e pouco tempo depois o veículo chega. Um motorista etíope nos trouxe até o centro. A corrida custaria 45 dólares, mas ele cobrou mais 7 pelas malas. Eu disse: "No, it's not 52!" Diante do olhar assustado do pobre homem, eu respondi: "It's sixty!" Dei-lhe 60 dólares e ele ficou muito contente. Chegamos! Estávamos em Ottawa, finalmente!

Algumas curiosidades sobre o nosso landing:

- Ninguém nos perguntou quanto dinheiro tínhamos. Trouxemos vários papéis que não precisaram ser usados;

- Eles escrevem o endereço para envio dos PR Cards à mão, na própria oconfirmação de residência permanente. Se você é imigrante federal e não coloca um endereço de Québec, não há qualquer problema. Mas se ali estiver "Montreal", "Gatineau", "Québec" ou coisa parecida, vem problema;

- Na nossa confirmação de residência permanente consta a cidade de Kingston como destino final. Mas não se importaram de forma alguma com o endereço em Ottawa que dei. Com isso, você não precisa se preocupar se resolver mudar de cidade ao longo do processo (exceto, claro, se for para o Québec);

- Os oficiais perguntaram com o que eu trabalhava e se eu iria continuar atuando como músico no Canadá. Eu respondi: "espero que sim, mas estou feliz só por estar aqui e poder recomeçar. Vamos ver o que virá para mim!" e a oficial só disse "boa sorte";

- Alfândega no Canadá? Mesmo com uma mudança para levar, o homem só pediu o formulário e nos mandou seguir... kkkkk

Vida Que Segue - Canada

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3 comments:

  1. Excelente post sobre landing!! Várias dicas importantes! Inclusive sobre prova de fundos (não que não vá ser solicitado por outros agentes).

    No geral parece que o landing é bem tranquilo. Só vão implicar com vc se houver alguma contradição nos formulários ou parecer que você está mentindo!

    Grande abraço e continue postando!

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  2. Muito obrigado, Antonio... e estamos esperando por vocês e pelo seu relato! E quem sabe, pelo cachorro maluco de vocês! Abraço!

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  3. Muito obrigado, Antonio... e estamos esperando por vocês e pelo seu relato! E quem sabe, pelo cachorro maluco de vocês! Abraço!

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