5. Como Chegamos ao Canadá? (Parte 2: Preparação da Mudança)

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Vamos tratar agora de um assunto que, pelo menos até onde eu sei, é muito pouco retratado nos blogs de imigrantes brasileiros para o Canadá. Acredito que a razão seja o fato de que há muita coisa para fazer e a correria é sempre enorme, e a pessoa acaba ficando sem tempo ou sem vontade para postar.

No entanto, acredito que é a fase mais difícil, extenuante e penosa de todo o processo de imigração! Você está achando que o processo propriamente dito é para poucos estômagos? Então, meu amigo ou minha amiga, você não viu nada! Enquanto o CIC ainda não lhe abre as "portas da esperança" sua vida continua a mesma e você está no aconchego do seu lar, com sua família e seus amigos. Ainda não há um prazo para você se mudar e, como naquele samba, mesmo com todo o drama, com toda a lama e com toda a Brahma, a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando essa vida... de desilusão e cansaço com o Brasil!

Mas quando os seus passaportes já estão em suas mãos com um lindo visto IM-1 para o Canadá... bom, aí tem a fase da festa e da comemoração mas pouco depois, sem tempo para qualquer respiro, vem a maratona que só acaba com o landing!

E foi exatamente isso que aconteceu conosco entre os dias 18 de agosto de 2014 e 18 de abril de 2015. A preparação da mudança!

Da forma possível, retratei esse momento no nosso outro blog, o Canadá Self-Employed... e para tal criei o termo TPL, ou "tensão pré-landing". Mas agora podemos falar melhor sobre esse período...

Quando iniciamos nosso processo, no início de 2013, a expectativa para a classe self-employed era de três a quatro anos. Planejamos tudo então para ir embora do Brasil a partir de 2016. No início, a coisa foi conforme o figurino. Nosso processo mofou na fila do Consulado em São Paulo por um ano exato, enquanto a roda do Federal Skilled Worker ia girando, girando, giraaaandoooo...

Mas em abril de 2014, o Consulado aparentemente resolveu instalar um botão de nitro ou um motor turbo na classe Federal Self-Employed, e saiu processando todos os pedidos que estavam lá. Em quatro meses, nossos vistos estavam nas mãos. E teríamos apenas dez meses para embarcar, em vez de um ano a partir dos exames médicos: nossos passaportes venceriam em junho de 2015!

Em que situação os vistos nos encontraram?

- A Thaisa ainda estava cursando o Bacharelado em História na UFRJ. Sua previsão mínima de formatura era para dezembro de 2014. Ela poderia ainda, se quisesse, fazer a Licenciatura (que todos os seus colegas fazem, já que a principal oferta de empregos para historiadores é a docência em escolas de ensino fundamental ou médio). Mas desistiu dela e direcionou o foco para o término do bacharelado... o que incluiria cumprir os últimos compromissos de sua iniciação científica e escrever sua monografia de final de curso quase ao mesmo tempo;

- Antes da aceleração do nosso processo eu terminei o meu doutorado e havia me inscrito em um edital de pós-doutorado. Com a coordenação do meu antigo orientador de Mestrado, fui aprovado em um deles para realizar um projeto de pesquisa sobre funk carioca no estúdio por um ano, a partir de outubro de 2014. Fiz muitos trabalhos de campo e entrevistas nos primeiros meses ainda no Brasil e, para o que for preciso a partir de agora, posso trabalhar remotamente do Canadá. Meu coordenador sempre foi muito compreensivo e apoiou minha partida. Na verdade, ele foi uma das primeiras pessoas a estimular minha partida do Brasil;

- As perspectivas de eu encontrar trabalho como professor universitário no Rio de Janeiro eram praticamente inexistentes e, em outros lugares do Brasil, bastante limitadas. Eu não estava animado com a ideia de prestar concurso público e, se precisasse me mudar, que fosse para o Canadá. Estava dando aulas num curso livre de áudio e tecnologia dos melhores do Brasil, mas de forma esporádica: a escola já dispunha de um professor para as disciplinas onde sou melhor e ele, além de ser certificado para vários softwares (e eu ainda não), chegou primeiro. Com a mesma fome de bola que eu;

- Eu precisaria alugar o meu apartamento para seguirmos tranquilos para o Canadá; o ideal seria vendê-lo mas uma conjunção de fatores imbrogliantes me impossibilitou. Arre... Enfim... bancar um aluguel no Canadá e seguir pagando as taxas de condomínio mensais no Brasil não faria bem para o bolso;

- Antes de alugar o apartamento precisaríamos fazer pequenas reformas, pois ele estava com alguns defeitozinhos acumulados ao longo dos anos.

- Tínhamos muita coisa... muitos objetos... muita tralha que não teríamos como trazer para o Canadá. Teríamos muito para vender e para doar...

- A Thaisa pretendia fazer o curso de Maquiador Profissional no SENAC assim que terminasse a faculdade.

De agosto a dezembro de 2014, comecei a vender instrumentos musicais, equipamentos e objetos pessoais mais específicos e portanto fáceis de vender através do Facebook, e com o produto dessas vendas fiz os primeiros depósitos do nosso "fundo canadense"! Também tratamos de nossas questões acadêmicas. A Thaisa conseguiu cumprir com os compromissos relativos à sua iniciação científica e fazer a monografia, enquanto eu iniciei a pesquisa de pós-doutorado em outubro. De Canadá, tratamos apenas da abertura das nossas contas no Banco HSBC... e esse processo foi uma novela à parte que foi relatada em capítulos no Canadá Self-Employed  (o link vai para o primeiro capítulo) e me estimulou a escrever um Manual do HSBC para Imigrantes Brasileiros no Canadá. Essas dores de cabeça só acabaram em janeiro deste ano, com a abertura definitiva da nossa conta canadense e o envio dos talões de cheque e cartões de débito. Por sinal, a Thaisa teve cartão de débito canadense antes do brasileiro, vê se pode!

Em setembro de 2014, comunicamos às nossas famílias que iríamos embora para o Canadá.

Aflito para alugar o apartamento o quanto antes e livrar-me da sombra do condomínio, e ouvindo notícias de que o mercado imobiliário do Rio estava enfrentando um momento de estagnação após a euforia pré-Copa do Mundo, comecei a correr atrás ainda no final de 2014. Quando procurei a senhora responsável pelo negócio de vendas em residência, após uma indicação do blog da Carol Camanho (hoje conhecida pelo canal de YouTube Fala Maluca), obtive uma indicação de imobiliária e já a procurei.

Em janeiro, fizemos as reformas necessárias para anunciar o apartamento (começamos após o Carnaval) com o sr. Severino, um paraibano aposentado da Marinha que recomendo para todas as pessoas que desejem fazer obras no Rio de Janeiro porque trabalha realmente bem e muito rápido. Ele levou dois sobrinhos para trabalhar na nossa obra, e devido à semelhança de um deles com um cantor sertanejo apelidei-os imediatamente como... Victor e Leo! Kkkkkkkkk! Terminadas as obras, pudemos constatar que o mercado imobiliário do Rio de Janeiro está realmente estagnado e por isso mesmo ótimo para quem quer comprar ou alugar... Tivemos que negociar bastante. Já pensou se os interessados virassem as costas e fossem embora nos deixando um apartamento vazio com salgadas taxas de condomínio para pagar? Enfim, não recebemos muitas visitas mas a última família que veio, já aos 42 do segundo tempo e com a tensão nas alturas, quis alugar o apartamento!!! Aleluia, ô aleluiaaaa! Taram tam tam tam tam, param pampam pam pam pam pam!

A Thaisa, assim que suas aulas na Faculdade de História acabaram, começou o curso de Maquiador Profissional no SENAC/RJ e conseguiu conclui-lo a poucos dias de irmos embora! Durante o período desse curso, ela ainda fez outros cursos: Penteado Profissional, Workshop para Ministrar Automaquiagem (ambos na escola Make Arte), e ainda uma workshop de técnicas avançadas de maquiagem com Luciane Ferraes, profissional muito conhecida por seu canal no YouTube! Oi, Bonitas, tudo certo? E, bom, acabou que ela praticamente não teve férias... Feliz e realizada, mas exausta! Quanto a mim, acabei colaborando com Marcelo Yuka, ex-baterista do Rappa, no projeto de seu disco solo e de sua turnê. Prestei-lhe consultoria para trabalhar com o software Ableton Live e ainda toquei piano Rhodes em uma faixa de seu disco!

E em março, fizemos nossa venda em residência com a empresa familiar indicada pela Carol Camanho! Foi uma loucura, como se um furacão tivesse passado na nossa casa! Vendemos praticamente tudo e o resto ficou para uma família vizinha que estava se mudando e precisava de tudo para montar sua casa! Por dois meses, as pessoas vinham para retirar seus móveis e víamos o apartamento a cada dia mais vazio. Isso nos trazia uma sensação de leveza...

Finalmente, houve a maratona médica e odontológica! Passamos por vários especialistas para ver como ia a saúde, e no meio disso eu levo um susto: minha testosterona estava em baixa! Como assim? Andropausa aos 41 anos? Procurei um endocrinologista e ele, por via das dúvidas, me receitou reposição. Entretanto, um segundo exame de sangue detectou que meu nível de cortisol (o hormônio do stress) estava na estratosfera. O cortisol alto no sangue causa uma baixa de testosterona... e além da tensão do processo de imigração, causada principalmente pela locação do nosso apartamento, eu tenho fobia a injeções. Dessa forma, esses resultados são bem inconclusivos. Continuei com a reposição e agora vamos ver o que os médicos canadenses dirão. Mas enfim, a maratona médica trouxe um momento de muita tensão no último mês de Brasil: a Thaisa resolveu aproveitar o plano de saúde para extrair seus dentes de siso. A dentista bambambam desse procedimento teve bebê e só voltou ao trabalho poucas semanas antes de virmos para Ottawa. Fiquei tenso com essa decisão: já imaginaram se acontece alguma complicação e ela não pode embarcar? Mas ela insistiu. Por outro lado, foi engraçado ver as pessoas interessadas na locação visitando o apartamento e ela lá, de cama, com o rosto inchado e sem poder falar nem rir.

Na Páscoa, viajamos para Minas Gerais para nos despedir de familiares. Tínhamos ido no Carnaval e no Natal também. Algumas despedidas aconteceram durante essas viagens.

Com tudo isso, e também com a loucura da viagem propriamente dita que já está retratada aqui no Vida Que Segue, ficamos exaustos. Principalmente a Thaisa! E aqui em Ottawa também não paramos. Muitos documentos para tirar, uma vida para começar... mas pelo menos o mais difícil já passou! Agora a vida é nova... é Vida Que Segue e você segue com a gente!




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