14. Alugando o seu primeiro imóvel no Canadá (Ottawa) - Considerações gerais

by 8:49 AM 1 comments

Com este post/vídeo, vamos começando uma série a respeito do aluguel do seu primeiro imóvel no Canadá e especificamente em Ottawa. Queremos, com isso, compartilhar nossa experiência e passar a você os aspectos fundamentais sobre a busca do seu primeiro imóvel.

O primeiro imóvel a gente não esquece! E a busca é mais complicadinha por vários fatores... Por exemplo:

- você ainda não tem vivência aqui e não conhece o mercado imobiliário com suas boas oportunidades e roubadas;
- como newcomer a sua busca pode esbarrar um pouco na ausência de um histórico de crédito por aqui;
- a grande maioria dos imigrantes não chega com emprego e portanto depende das reservas financeiras construídas para o projeto imigração ou das aplicações financeiras e investimentos feitos no Brasil. Ou seja: vive convertendo reais em dólares canadenses e convivendo com a instabilidade da nossa moeda e da nossa economia;
- você não conhece os procedimentos legais e burocráticos daqui e sempre pode haver algo que os blogs de imigrantes ou os anúncios de corretores não mostram com clareza (exemplo: seguro).

Dessa forma, queremos compartilhar o que aprendemos aqui alugando o nosso primeiro imóvel com você. Mas não pense que o objetivo aqui é passar uma verdade absoluta ou posar de dono da verdade. Cada caso é um caso, cada pessoa sabe onde dói o calo ou onde o sol brilha, e então escreva aí: a experiência do Alexei e da Thaisa deve ser lida como uma referência a ser considerada, mas não necessariamente seguida!

Não entendo por que, mas o vídeo causou polêmica. Uma pessoa fez um comentário, me chamando de "pessimista, desanimador, todos os lugares do mundo existem problemas parecidos, gostaria de saber se com tantos defeitos que vc falou, pq vc ainda mora aí?, volte para o Brasil , como vc disse,  morar na cidade e ruim, morar em condomínio é muito caro, carro é caro, seguro etc...... não sei como vc vive ai, isso é para desanimar quem quer ir ou medo de concorrência com trabalho?". Isso foi engraçado, porque apesar de eu ter ficado um pouco decepcionado e assustado com o "assault" que sofri em Lowertown East, continuo achando Ottawa uma das melhores cidades do mundo para se viver e repleta de boas pessoas. Mas tem alguns probleminhas que incomodam: há regiões desaconselháveis, há alguns problemas pontuais de segurança, as drogas/tráfico estão presentes, há gangues e o trânsito é problemático. Mas isso não me faz querer ir embora daqui... kkk... longe disso. A pessoa, identificada como Marlene, recebeu uma longa resposta para encerrar a questão.

Em linhas gerais, o que você precisa considerar inicialmente ao procurar seu imóvel? Vamos lá:

1. Tipos de imóveis: há basicamente os seguintes tipos de imóveis por aqui:

- Single-family house: casa destacada, destinada à residência de uma única família;
- Apartment: geralmente aparece em casas antigas grandes que foram convertidas para residência de mais de uma família, o que é bem comum por aqui;
- Townhouse: são as nossas velhas conhecidas, as casas geminadas! Estão em condomínios horizontais, aqui chamados de rows;
- Condos: o termo vem de condominium e se refere aos edifícios com um grande número de apartamentos.


2. SEGURANÇA! Ok, aqui é Ottawa, o Brasil ficou pra trás. E aí você vê um imóvel de 2 quartos e 2 banheiros, repleto de espaço, sendo alugado por 1.000 dólares. O que é muito barato no mercado daqui. OH! Mas a região tem tráfico de drogas, prostituição, disputa de gangues e tiroteios ocasionais. Não acredita, Marlene? Isso é coisa só do Brasil e uma das cidades grandes mais seguras do Canadá não tem isso? Pois vamos ler jornais de Ottawa?

http://www.ottawasun.com/2015/04/08/gunshots-fired-into-lowertown-home
http://ottawacitizen.com/news/local-news/police-investigating-vanier-shooting

Só por aí, você já pode pensar duas vezes antes de escolher um imóvel numa região onde você pode ter alguns problemas sérios e não é tão seguro circular pela rua (principalmente à noite).


2. CAMINHABILIDADE/ACESSIBILIDADE/CONVENIÊNCIA: a grande maioria das cidades canadenses enfrenta hoje em dia problemas urbanísticos por ter adotado, a partir da segunda guerra mundial, um modelo influenciado pela "cultura do carro" importada do vizinho do Sul. É aquilo: condomínios de casas sem qualquer comércio ou serviço do outro lado da rua (a não ser em uns poucos casos) e pouca infra-estrutura de transporte coletivo. Porém, as regiões centrais surgiram e se desenvolveram antes da massificação do automóvel e continuam compactas e com a mesma infra-estrutura viária de 1900. Vai alargar a Wellington Street e derrubar construções históricas, além de mexer no sítio histórico de Parliament Hill? Vai derrubar prédios e casas no Byward Market para alargar as ruazinhas? Não vai. Mas as pessoas continuam comprando carros e levando-os para as ruas. Resultado: a cidade não aguenta. É o mesmo problema sentido, em maior escala, em várias cidades brasileiras.

Aí você chega ao Canadá seduzido pelo papo de que o carro aqui é barato. Isso é discussão para um outro post, mas há quem pense que basta pagar 1500 dólares por um modelo 2003 ou 2004 - essa é a faixa de preço real praticada aqui - e sair rodando tranquilo... Sem saber que o seguro aqui é obrigatório e que a pessoa pode ter enormes problemas se não pagá-lo. E que as oficinas mecânicas são um serviço especializado e têm seu custo... que é mais alto que o do Brasil se simplesmente convertermos a moeda. Para um canadense que recebe 50 mil dólares ou mais por ano não há dor de cabeça em pagar 600 dólares por mês com carro (entre financiamento, seguro, combustível, manutenção e estacionamento) ou 80 dólares por aula de auto-escola para tirar a carteira de habilitação definitiva. Mas para quem acabou de chegar, converte reais em dólares e ainda está procurando emprego ou recorrendo aos empregos menos qualificados para adquirir a "experiência canadense" (salvo em algumas áreas excepcionais, as empresas só contratam trabalhadores com experiência de estudo ou trabalho aqui... a experiência do Brasil não conta muito, em razão das diferenças culturais e de conteúdo), convém analisar muito bem o orçamento. E por isso mesmo ver se vale a pena morar num subúrbio situado a 25 quilômetros do centro, onde os aluguéis são baratos mas o conceito urbanístico adotou um modelo dependente de automóveis... ou seja, a despesa com o carro pode neutralizar o aluguel mais barato.

Pra fazer as contas, clique aqui. E leia esta reportagem do jornal Globe and Mail de Toronto.

A região central de Ottawa, por ser antiga e histórica, é bem compacta, servida por linhas de ônibus para toda a cidade e futuramente pelo LRT, e você não precisa de carro para absolutamente nada. Você pode desejar ter seu carro e é seu direito, mas veja bem: precisar no sentido menos subjetivo da palavra, você não precisa. Mesmo no temido e lendário inverno, é possível caminhar ou utilizar o transporte coletivo. Alguns até se arriscam a pedalar. E pode ser mais fácil ter um supermercado do outro lado da rua, porque o tempo que você gasta indo até lá no inverno pode ser menor do que se tivesse que descongelar o carro/tirar a neve... antes mesmo de dar partida no motor.

Por diversos fatores, há mais e mais pessoas acreditando que dirigir deve ser uma opção e jamais uma obrigação ou necessidade. Escolha então a sua moradia com base nisso.


3. ESCOLA PARA AS CRIANÇAS: aqui, como nos Estados Unidos, as opções de escola para seus filhos estarão condicionadas a uma determinada região geográfica próxima à sua casa. Não é como no Brasil. Você não pode viver em Centretown e matricular as crianças numa escola de Kanata, por exemplo. Mas por outro lado, não se trata de uma área tão limitada assim. Segundo o school locator site da comissão escolar de Ottawa dá, por exemplo, para a criança morar em New Edinburgh e estudar na escola Glebe, a 6 quilômetros de distância. Nesse caso, haverá o ônibus escolar gratuito buscando e deixando a criança em casa.


4. CONTAS MENSAIS: diferentes tipos de imóveis geram diferentes despesas por aqui. Se você vai para um imóvel mais antigo, poderá ter que pagar o aquecimento (indispensável) e o ar condicionado (nem tanto) na conta de energia elétrica. Enquanto esses custos, nos imóveis mais modernos (principalmente nos condos, ou prédios de apartamentos com um grande número de unidades), vai incluído na taxa de condomínio que aqui é paga pelo proprietário. Resultado prático? No condo você paga uns 30-35 dólares por mês mesmo no inverno, enquanto numa casa mais antiga o valor pode chegar a uns 150 dólares.

Há imóveis onde tudo está incluso, ou seja, nem a eletricidade você paga. Em outros, você paga só a eletricidade e o resto fica por conta do proprietário. E ainda há situações em que você tem que pagar pela eletricidade, pela água, pelo aquecimento... então fique de olho nisso.


Com isso tudo, o que eu sugiro para você? Três palavrinhas:

PESQUISA,
PESQUISA,
PESQUISA!

E pesquisa! Ela é fundamental para você formar a sua própria opinião com o máximo de dados possível. As experiências dos imigrantes e dos donos da casa ajudam, mas lembre-se de que cada um tem interesses, expectativas e necessidades distintas e você precisa, e deve, filtrar muito bem essas informações para determinar o que é melhor para você. E, Marlene, quanto mais realista melhor! Nem todo dia nasce cor-de-rosa por aqui!

Como muito sabiamente afirma Renato Alves, do blog Um Brasileiro na Terra do Tio Sam: "Já visitou blogs e sites de imigração? Já leu livros de quem veio e registrou o caminho? A grande maioria esmagadora que me procura não fez pesquisa. Simplesmente repete o que ouviu de fulano ou ciclano ao qual perguntou sobre o assunto. Sabe aquela brincadeira de telefone sem fio? Quando a história chega até mim já está completamente distorcida e misturada."

No próximo post, mostrarei os bairros/regiões menos aconselháveis para morar em Ottawa. Este é o Vida Que Segue e você segue com a gente!


Vida Que Segue - Canada

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1 comment:

  1. Olá Alexei, tdo bem? Quais bairros vc acha mais interessante de morar em Ottawa?

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