2016 está chegando ao fim... Parte 1

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2016 está chegando ao fim. Foi um ano de muito aprendizado e de muitas experiências. E mais do que tudo, foi o ano em que de certa forma caímos na real. No começo estávamos deslumbrados: saímos do Brasil! Estamos no Canadá com residência permanente! Vivemos num país de primeiro mundo! Podemos ficar aqui para sempre!

Mas com o tempo e a progressiva transformação em locais, com o Brasil ficando para trás até na nossa memória, vêm os desafios! Afinal de contas, vivemos com a reserva financeira que trouxemos do Brasil e uma hora precisamos nos integrar ao mercado de trabalho. Mesmo sendo residente permanente - muita gente faz uma confusão danada, por isso preciso dizer o tempo todo qual é meu status migratório -, optei por frequentar um college para me qualificar devidamente em algumas áreas que tinha como hobbies ou paixões e ampliar minha empregabilidade... pois sabe como é... a "barreira da experiência canadense" não existe para músicos... mas os empregos formais são raríssimos e embora sejamos muito bem pagos por hora - eu já recebi 50 dólares por hora -, trabalhamos pouquíssimas horas.

Hoje questiono essa minha escolha porque embora tenha aprendido um bocado, não sei se minha empregabilidade cresceu ao ingressar numa situação onde minha experiência não era assim tão maior do que a dos meus colegas bem mais jovens. Não era para ser necessariamente assim no início do curso, pois o conteúdo incluía áudio e essa foi uma razão crucial para eu escolhê-lo.

Mas o conteúdo de áudio foi removido do programa logo após eu ter frequentado a matéria. O curso sofreu mudanças e se transformou num amontoado meio sem sentido de matérias voltadas para coding (ou seja, as linguagens de programação da Web) e para user experience design (uma modalidade de design aplicado onde o principal enfoque está na interação entre usuário e sistema e por isso há muitas regras e limites). Nada contra, mas passamos a ter as informações despejadas na cara sem muito critério e o ensino decaiu muito até porque alguns dos melhores professores foram embora. E não foram substituídos à altura.

Por isso, se me perguntarem hoje se eu teria escolhido esse curso, a resposta rápida e objetiva seria não. E também não o recomendo para quem está vindo do Brasil com curso superior completo, mais experiência e vontade de recomeçar achando que a caminhada será fácil até o emprego. Claro que a história de cada pessoa pode ser diferente e eu mesmo acho que não estou saindo de mãos vazias pois recebi pelo menos uma oferta de contract job (freelancer). Mas o curso de Interactive Media Design do Algonquin College, por si só, hoje não vale a pena. O ensino é fraco e não te prepara nem para as demandas dos empregadores que buscam estagiários. Como assim... não temos marketing digital nem nada a respeito de mídias sociais?

Se fosse hoje, eu teria escolhido algo mais próximo da área de música mesmo com todos os senões relativos à empregabilidade. Até porque estou vendo que as coisas realmente não são tão fáceis assim quando você não é mais um jovem de 25 anos.

Eu quis sair do curso e retomar a carreira acadêmica em Música quando tive o problema com meu colega brasileiro no fim de janeiro. Na realidade, cheguei a sair por dois dias mas não tive tempo de oficializar.  Um professor, por um lado, e Thaisa pelo outro, me convenceram a ficar. E recentemente voltei a pensar nisso inúmeras vezes, até porque pelo menos uma das matérias que fiz no semestre que está acabando foi um completo desastre. O professor não estava preparado, precisou trabalhar com materiais escritos por outra pessoa e no final ninguém aprendeu o que deveria. Mas os trabalhos e provas continuaram lá e não foi fácil, ainda mais num assunto complicado como a linguagem PHP.

Tenho a ligeira impressão de ter perdido um tempo muito precioso e um bom dinheiro com esse college. O que recebi dele não valeu todo o investimento feito. Sem falar na exaustão física e mental e na falta de tempo para qualquer outra coisa. Até para mim mesmo. Quantos finais de semana não perdi fazendo trabalhos por 12 ou 14 horas por dia aos sábados e aos domingos?

Sinto muitas saudades de fazer música de novo. De gravar. De criar. De fazer o que eu gosto e o que me trouxe para este país. Talvez eu tivesse melhores oportunidades por mais difíceis que pudessem ser.

E mais do que nunca, gostaria de ficar livre desse curso pelo qual já não tenho mais tanto tesão. Mas falta apenas um semestre. Eu não estou sozinho. Éramos 120 alunos quando o curso começou. Hoje somos 70. Muitos ficaram pelo caminho. Se eu tivesse 20 anos a menos de estrada e menos responsabilidades de fazer as coisas acontecerem por aqui, iria feliz e contente em busca de outro caminho. Mas não: preciso ser forte, terminar esse curso e fazer as coisas acontecerem de qualquer jeito. E é isso que vou fazer.

Talvez muitos de vocês, que me lêem, não me entenderão por completo. Alguns me chamarão de fraco, sobretudo aqueles que um dia me chamaram de "leite com pera" ou "arrogante" pelo caminho. Brasileiros não aceitam palavras que não sejam totalmente positivas, muito embora eu não queira desencorajar ninguém. Só quero mostrar todos os lados da batalha.

É muito fácil julgar por um videozinho de dez minutos no YouTube ou por um punhadinho de palavras que nunca, jamais vai representar de fato todas as horas do meu dia.

Mas este lugar também é para desabafar. Como muitas vezes fiz no canal e muitos não entenderam, mas espero que agora entendam, estou aqui falando comigo mesmo. A luta é grande, e o que temos a fazer é lutar. Porque sonho canadense não existe.

Vida Que Segue - Canada

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