O que penso da questão québecois

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Houve quem comentasse no Facebook que "um povo tem o direito de defender sua língua e sua cultura". E tem mesmo! Até aí tudo bem! Espero que esse post seja lido com atenção por quem tem interesse, pois os brasileiros muitas vezes se precipitam julgando textos e ideias...

Como eu já falei, sou simpático não apenas aos québecois, mas a toda a população francófona do Canadá. Muitas das contribuições humanas, culturais e artísticas que fazem o país ser único vêm deles! Se eles não estivessem aqui, o país poderia ser uma cópia dos Estados Unidos - inclusive com os problemas da cultura norte-americana.

O problema da "questão québecois" não são os motivos pelos quais ela existe. É a forma como se tenta fazer as coisas e o que está por detrás disso. Porque na realidade, o movimento separatista está c* para língua e cultura. Apenas usa esse argumento para conquistar a simpatia e o voto da população francófona, e alimentar a raiva dela por quem não fala ou não entende francês... por enquanto... porque se tudo continuar como está a população imigrante supera a francófona algum dia...

Na minha opinião, o francês nunca esteve ameaçado na mesma intensidade do discurso dos separatistas. Tanto que em séculos de domínio colonial e em mais de 100 anos de Canadá independente, ele permaneceu vivo e forte. Sem qualquer lei para protegê-lo. E não apenas no Québec. O governo québecois, por sinal, se esquece de que há francófonos vivendo fora da província. Que são, em grande parte, descendentes de québecois que foram tentar uma vida melhor em outras províncias. E nada diz a respeito. Os franco-ontarianos, que são bem numerosos em Ottawa e no leste de Ontario, dizem que o Québec não está nem aí para eles. E ainda há os francófonos de New Brunswick e de Manitoba.

As leis geram mais antipatia do que promovem e protegem a língua e a cultura. No Québec, produz-se coisas como a série Language Police, no YouTube. E aqui no Canadá o povo ri muito disso. E os dois "agentes defensores do francês" são engraçados de tão trapalhões. Deixo aqui um episódio...



 E quem quiser ver toda a série no YouTube, está aqui!

A beleza da língua francesa, a herança cultural francófona e o importância que tudo isso tem para aquelas pessoas, que são a meu ver a real causa da sua preservação, ficam em segundo plano... Não deveriam.

Além disso, o Québec não é só dos francófonos! Sou favorável a que as escolas públicas da província ensinem francês e inglês (e os idiomas dos aborígenes nas regiões onde eles vivem), e que os idiomas das comunidades imigrantes sejam preservados e valorizados... sinceramente, impor uma língua e uma cultura através da destruição do "outro" é algo que não condiz com o espírito multicultural canadense. Que québecois como Pierre Elliott Trudeau, primeiro-ministro e pai do atual primeiro-ministro Justin Trudeau (que é de Ottawa mas construiu carreira no Québec), tentaram levar para todo o país através da promoção do bilingualismo. E tem que ser assim mesmo: que toda a população do Canadá tenha acesso ao francês e à cultura francófona que também é muito importante para seu país!

Enfim... o que os caciques do Parti Québecois desejam, como muitos políticos de qualquer partido, é poder dinheiro. Porque com todas as medidas, afastaram os empresários anglófonos e movimentaram-se para tomar seu lugar... Não conseguiram a posição predominante que o Québec tinha na economia e na política do país, mas ganharam muito dinheiro.

Isso ficou claro para a população quando, nessas eleições de 2014 em que o partido buscava a maioria (e mais um referendo), um homem chamado Pierre Karl Péladeau inscreveu-se no partido, candidatou-se a uma cadeira do Parlamento (foi eleito) e começou a falar de separatismo. Pierre Karl Péladeau é um dos homens mais ricos do Québec. É uma espécie de Roberto Marinho québecois... dono do grupo Québecor... leia-se Vidéotron (telefonia celular, internet, TV a cabo), TVA (televisão em francês), Le Journal de Montréal/Le Journal de Québec... E como empresário, pratica tudo aquilo que a população francófona não aprecia... principalmente combater os sindicatos...

E com a retirada de Pauline Marois, Péladeau tornou-se o líder do Parti Québecois no Parlamento provincial!!! É esse o homem que ficou à frente de um partido social-democrata que se diz à esquerda?????????


E vale ressaltar que vários figurões do Parti Québecois são milionários. Veja só a "casinha" que a ex-primeira ministra Pauline Marois e seu marido empresário venderam recentemente em Ile-Bizard:


Madame Marois, por sinal, teria sido flagrada dirigindo seu "carrinho de pobre" pelas estradas...


Vendo isso tudo, eu não consigo deixar de pensar no meu, no seu, no nosso Brasil... Pelo menos lá, todos falam português.

Vida Que Segue - Canada

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