Canadá, minha segunda chance

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Não escondo de ninguém que o Canadá para mim representa uma segunda chance.

Eu não tinha boas perspectivas de vida no Brasil, por causa da situação do país mas também por escolhas que fiz. Primeiro, mofei por cinco anos na faculdade de Direito sem vontade de estar lá. Meu coração estava na música e passei anos muito importantes da minha vida tentando me encontrar e buscar meu caminho. Um belo dia, encontrei tudo isso com a Red Bull Music Academy em Roma, os festivais que organizei, as gravações que fiz e finalmente com a carreira acadêmica. Mas em 2012 o sinal estava claro: a chance de eu me tornar um doutor desempregado e infeliz eram muito grandes.

E antes de pagar para ver se seria assim ou não, eu fiz minha trouxinha e vim para o Canadá. Onde pouca coisa que eu trazia na bagagem valia para alguma coisa... Nem meu doutorado me tornaria competitivo por aqui.

Não é fácil recomeçar por aqui, mas é possível. O sonho canadense não existe, mas a realidade pode sorrir para quem mantém os pés no chão.

Voltei para a escola aos 42 anos para buscar uma segunda carreira onde eu pudesse aplicar conhecimentos que já tinha e ter melhores opções... agora estou terminando o estágio remunerado com 43 anos. A organização gostou do meu trabalho, me avaliou da melhor forma possível e vamos ver o que virá!

O que vale dizer aqui é que desta vez estou adotando uma postura bem diferente da que adotei no passado. Estou indo à luta, trabalhando duro e buscando o meu melhor todo o tempo. Os canadenses gostam disso e na medida em que vêem vão abrindo as portas. A famosa barreira da experiência canadense é, no final das contas, apenas uma barreira que pode ser superada.

Aprendi por aqui a viver sem me agarrar tanto a ilusões padrão Disney (o que não quer dizer que eu não sonhe... só não acredito no sonho canadense padrão dos brasileiros, que tem bases fortes no lado material) e aproveitando bastante as pequenas coisas boas e bonitas que me aparecem pelo caminho. A neve, a arquitetura do centro de Ottawa, o pôr-do-sol de primavera... cada dia é um dia e o tempo é de plantio.

Enfim, tenho visto muito baixo astral por aí. Brasil, Itália, Grécia, Portugal... é, a turma do euro não anda muito bem. Pessoas desmotivadas, decepcionadas, aguardando mudanças que talvez nunca virão... enfim, me entristeço. E espero que de alguma forma essas pessoas se mexam, saiam de suas zonas de conforto seja lá quais são e reinventem o que não está bom em seus pequenos mundos...

Nunca se pode dizer que acabou. Sempre pode existir uma saída, mesmo que seja a do aeroporto. O que não podemos fazer é ficar parados esperando as coisas acontecerem num passe de mágica. A vida é dinâmica e precisamos nos manter em movimento em busca do melhor, enquanto podemos!

Deixo essa música, que tem tudo a ver:

Vida Que Segue - Canada

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