College no Canadá não é moleza!

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Como vocês sabem, eu completei meu curso no college após dois anos. E, após essa experiência, fico pensando em tantas pessoas que vêm estudar aqui ou pretendem fazer isso. Qual será a expectativa dessas pessoas quanto ao curso? Como está a disposição delas para isso?
Porque o lance é o seguinte: se você pretende levar seu curso a sério - o que é fundamental, pois a maioria absoluta das pessoas que vêm fazer college aqui quer ficar de vez e depende de um bom trabalho nessa etapa para isso - saiba que muitos programas não são nem um pouco fáceis e não dá para achar que a vida vai ser tranquila.
Ainda mais se você estiver disposto(a) a aplicar a Regra de Ouro do Alexei, que resumidamente significa dar o seu melhor em 101% do tempo e fazer de tudo para ser o melhor que puder ser durante o curso, saiba que a vida periga não ser exatamente tranquila. Muitas vezes não existe essa de "tenho experiência, só estou aqui para me qualificar e obter a experiência canadense e o networking que tanto contam por aqui e daqui é partir pro abraço, pro emprego, pra residência permanente..."
A minha vida durante os períodos de aulas não foi nem um pouco tranquila. Além dos desafios extras que precisei superar, meu curso de Interactive Media Design foi insano. E por quê?

  • A carga horária é puxada. Dias com seis horas ininterruptas de aula, ou com uma jornada de oito ou nove horas de aulas e alguns intervalos, eram comuns no meu curso;
  • Os horários de aula não são regulares como frequentemente acontece no Brasil. A grade de horários depende da disponibilidade de professores que podem ter empregos regulares das 9 às 5 e por isso só dão aulas à noite. Muitas vezes eu saía do Algonquin College às 8 da noite para estar lá novamente às 8 da manhã. Em alguns dias eu chegava em casa às 11 da noite, em outros dias saía de casa às 6 da manhã (no inverno!)... Isso era bem sacrificante para mim, pois eu não tinha horários certos para nada. Nem para comer (e eu comia muito mal), nem para dormir... Meu corpo não gostava disso;
  • Além das longas horas em sala de aula, há os assignments. O que são esses ditos cujos? São trabalhos que você faz em casa para as disciplinas. No meu curso, praticamente não havia provas mas os trabalhos estavam sempre ali à espera. Os pequenos trabalhos e os grandes: há os de meio de semestre, chamados de midterm, e os finals. É dos trabalhos que vem o aproveitamento no curso. Quer saber? Não cheguei a virar noites sem dormir mas já fiquei várias vezes por 12, 14 horas ininterruptas fazendo assignments nos finais de semana;
  • Por conta dessa carga horária, que pode ser adequada à disponibilidade e ao nível de energia de jovens de 20 anos mas não exatamente a alguém com 35 ou 40 anos, é meio difícil trabalhar durante o curso. Normalmente, o máximo que vai dar para fazer é arranjar um emprego dentro do próprio campus;
  • Está levando a família, filhos, etc., e vai fazer college? Não haverá muito tempo para a família e você terá de se desdobrar heroicamente. A rotina de um college é muito adequada para jovens solteiros, sem maiores compromissos além do estudo. Não é fácil para casais com filhos onde um estuda e o outro trabalha. As crianças não podem ficar sozinhas em casa por aqui;
  • Os colleges tentam simular ambientes super-acelerados de trabalho para preparar os alunos para o trabalho. O que você experimenta num emprego de 9 às 5 é multiplicado durante o curso.
Há quem não leve muito a sério as aulas, pouco apareça e faça o suficiente para ser aprovado no fim do semestre. Na base da estratégia, saca? Porque na realidade, simplesmente passar nas matérias não é nada difícil. No meu curso, só não passava quem não queria. Mas passar com notas realmente boas não é para muitos. Como aqui a GPA (média numérica de aproveitamento de um curso) costuma ir para o currículo, nota boa conta sim! Uma GPA superior a 3.9 (em 4) salta aos olhos dos empregadores. E tem outra coisa: aqui no Canadá a reputação de uma pessoa é levada bastante a sério. Quando você vai procurar um emprego, é comum que o seu entrevistador telefone para as suas referências pedindo informações a seu respeito. E sabe quem serão as suas primeiras referências? Seus professores. Eles estão no mercado e rapidamente percebem os alunos mais interessantes.  Podem abrir portas. Não desperdice esses contatos!
Por essas e outras, ser medíocre aqui não rola. College não é brinquedo. Ainda mais se você está investindo as economias da sua vida e contando com isso para obter a sonhada residência permanente. No meu curso, a anuidade para alunos internacionais era de cerca de 15 mil dólares. Algo em torno de 40 mil reais, só em tuition fees.
Não se preocupe em ser o melhor aluno da turma. Por mais que o mundo seja competitivo, mantenha o foco em você e procure dar o seu melhor independente dos outros. O esforço honesto e sincero aqui conta muito.
Com tudo isso você ainda vai brincar e ficar levando o college na flauta? Bom, quem avisa amigo é. Essa é a batalha da sua vida! Faça as coisas direito, com seriedade, buscando dar o seu melhor em todo o tempo. E será recompensado.

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