Músico brasileiro querendo entrar no mercado canadense? Melhor se mudar para cá

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- Pô, Alexei, me ajuda aí. Eu quero tocar no Canadá! Por favor, me ajuda a tocar no Canadá!

Como eu sou músico, de vez em quando escuto ou leio isso por parte de colegas brasileiros residentes no Brasil. Pessoas que pelos mais diversos motivos não têm condições de sair do país e que seguem bravamente enfrentando as dificuldades para (sobre)viver de música numa economia que já não ajudava... mas agora ajuda ainda menos, pois está em crise.

Querem divulgar sua obra no Canadá. Ou querem vir para o Canadá, fazer shows aqui e voltar para o Brasil com alguns benvindos dólares...

E agora que eu estou voltando para o rádio - fiz 7 anos de rádio no Brasil e agora estou começando na rádio comunitária da University of Ottawa -, é possível que alguns vejam em mim uma esperança para começar a divulgar seu trabalho por aqui.

Isso pode acontecer, sim. Mas é muito importante que você saiba que não é fácil. E que será bem restrito!

- "Mas por quê?"

Porque o mercado de artes e música no Canadá protege muito o produto e o artista canadense. E mais ainda o produto e o artista local. O que isso significa? Que as oportunidades para quem é cidadão ou residente no Canadá são muito maiores.

Conto de fadas: artista brasileiro estourar a partir do Canadá? Muito difícil.

- "Mas por que, Alexei?"

Simples: porque a mídia canadense é muito regulada e há leis e regras que impõem um mínimo de conteúdo canadense nas rádios (e também na televisão). Os festivais de música têm espaço para artistas estrangeiros sim, mas o custo e a logística de trazer artistas do Brasil, o que é mais difícil do que trazê-los dos Estados Unidos acaba inviabilizando muita coisa. Pequenos festivais raramente apresentam conteúdo trazido de longe, a não ser que as circunstâncias favoreçam (por exemplo, o apoio de uma embaixada... por sinal, com a crise a embaixada do Brasil não faz grandes coisas). Ou que o artista possa aplicar o "esquema Sepultura"... ou seja, que tenha contatos no festival e consiga bancar suas despesas de viagem e alimentação por alguma forma que não envolva os organizadores.

No rádio, as portas dos meus programas estarão abertas para conteúdo brasileiro e será exatamente esse o propósito: tocar música brasileira e divulgá-la para os canadenses, que não a conhecem. Mas muito provavelmente isso será restrito aos meus espaços... entrar no Top 30 da rádio, por exemplo, é mais fácil para o conteúdo canadense. Além disso, conteúdo canadense e sobretudo conteúdo local (Ottawa e Gatineau) têm menos chances de serem deletados da programação da rádio após três meses.

O conteúdo canadense costuma ser muito bom, em razão da qualidade dos artistas locais. Fica mais difícil para um estrangeiro conseguir atenção por aqui.

Por outro lado, se você mora aqui... o que acontece?

A fada madrinha agita a varinha de condão e... plllllimmm! Sua produção passa a ser reconhecida como conteúdo canadense!

E aí você terá as portas das rádios abertas para seu trabalho. Inclusive as da CBC/Radio Canada, que é obrigada a tocar 50% de conteúdo canadense.

Poderá fazer jus a algum apoio financeiro como o do Canada Council for the Arts. E poderá contar com uma simpatia maior por parte dos organizadores de festivais, que sempre apoiam conteúdo canadense e artistas locais. 

Não será uma caminhada fácil, porque música sempre envolve os mesmos probleminhas de carreira, trabalho e remuneração em todo o planeta, mas pode ser mais compensador do que no Brasil.

"Mas como? Eu me mudar para o Canadá?"

Muito bem... se você é músico com uma carreira sólida, boa experiência - não vale tocar no barzinho da sua tia aos sábados - e a possibilidade de contribuir para o Canadá com seu trabalho, há a possibilidade de solicitar residência permanente através da categoria Federal Self-Employed. Eu vim através dela. 

Pelo que estou vendo, as coisas hoje em dia estão mais difíceis do que quando apliquei. Até porque há mais pessoas que integram a cinzenta zona de fronteira entre artes e profissões técnicas aplicando. Mas para músicos com uma certa experiência, tempo de labuta e formação - volto a dizer, não pode ser alguém que dá uma canjinha no barzinho da tia tocando uns Bob Marley e Gilberto Gil na viola e faturando uns troquinhos para a cervejinha e a pypokinha - as coisas não parecem ter mudado tanto assim. Vale a pena considerar a ideia de ser residente permanente do Canadá!

No mais, é isso... vamos tentando contribuir da forma possível para a divulgação da arte e cultura brasileira para os canadenses!

Como diz um amigo de BH, agitador cultural e amante das artes... YEAH YEAH YEAH, vamo que vamo!



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