Amizade com brasileiros por aqui

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Se você me perguntar se tenho muitos amigos brasileiros ou me envolvo em muitas atividades da comunidade brasileira, a resposta é... não, não tenho muitos amigos brasileiros e não participo de muitas atividades da comunidade brasileira.

"Mas você tem algo contra?"

Não. Absolutamente nada contra. Mas não sou como o Roberto Carlos que quer ter um milhão de amigos.

Tenho amigos brasileiros sim, mas não são muitos. E na verdade não tenho muitos amigos. Porque sou uma pessoa que prefere ter poucos mas bons amigos.

Além disso, a experiência do canal Vida Que Segue Canadá me ensinou muitas coisas. Em primeiro lugar, é muito fácil estar rodeado de pessoas que parecem ser amigos por algum tempo, mas... na verdade não são. A vida faz com que elas desapareçam ou você mesmo desapareça. Porque simplesmente os caminhos seguiram para direções contrárias. Tudo bem. Não sinto tristeza ou raiva por isso, embora no fundo acredite que não exista muita gratidão pela ajuda que lhes prestei em algum momento.

Há também o fator "divergências". Temos aprendido que a nossa cultura muitas vezes não nos ensina a lidar bem com elas. A ponto de transformá-las em briga. Às vezes em briga pesada, desnecessária. Não conseguimos respeitar e conviver com pontos de vista diferentes ou opostos: os debates políticos são a expressão máxima disso.

Se hoje eu teria feito certas coisas de modo diferente? Sim, com certeza. Mas outras coisas eu teria feito do mesmo jeito, e talvez os resultados fossem os mesmos.

Alguns permaneceram. Houve quem foi embora e eu dei graças a Deus. Em outros casos lamentei, mas acabei me conformando. E em um ou outro caso as pessoas praticamente desapareceram até da minha memória. Quase não me lembro que elas existem...

Aprendi lições muito importantes com minhas experiências, e talvez isso possa dar alguma luz para você que está deixando o Brasil para uma vida nova no Canadá:

- Os brasileiros que aqui estão não são seus amigos, salvo em casos excepcionais. São colegas de imigração que podem se tornar seus amigos, ou não;

- Há amizades imediatas, mas não são tão frequentes. É mais comum as amizades se construírem pouco a pouco, com o tempo;

- Os melhores amigos que você fará por aqui não serão necessariamente brasileiros;

- Amigo é amigo; pessoa querendo te vender algo ou prestar serviços pagos para você é profissional, por mais amigável que seja. Ela apenas se torna "amiga" mesmo se o (seu) dinheiro deixar de ser a tônica da maior parte da relação;

- Os colegas brasileiros que você encontra pelo caminho em situações de convívio obrigatório (estudo ou trabalho, por exemplo) não necessariamente irão querer sua amizade, gostar de você ou querer língua portuguesa por perto. É uma pena e pode ser um fator complicador para formar uma comunidade forte. Outros povos não fazem isso, mas certos brasileiros restringem-se a seus grupinhos e fazem. A nacionalidade em comum pode não significar grandes coisas. Então vá com cuidado e não force nada. Deixe as coisas acontecerem, se forem acontecer. E não fique triste se não acontecerem;

- Amigo é aquele que está pronto para te ajudar a qualquer momento e sempre que você precise, mesmo que não lhe peça ajuda;

- Seus melhores amigos do Brasil continuarão sendo seus melhores amigos, após toda uma vida construindo relações. Outros que aqui estão poderão juntar-se a eles, mas isso é construído. Com o tempo você terá amigos em todo lugar;

- Muitas amizades com brasileiros surgidas aqui são produto de circunstâncias e conveniências, e por isso podem ser frágeis e desfazer-se até com um vento fraquinho. Com o tempo, as pessoas vão na direção daquelas com quem realmente têm uma identificação;

- Amigos de verdade te aceitam independentemente do que você tem, do seu endereço, da sua conta bancária ou de outros fatores puramente transitórios. E que acaba sabendo, entendendo e ajudando quando há algum problema ou a adaptação está difícil; 

- Proximidade física não é um fator fundamental para o surgimento de amizades. Basta estar em contato de alguma forma, e a internet facilita muito. Há pessoas que nunca vi pessoalmente até hoje, mas que considero mais amigas do que outras que vejo todos os dias;

- Nem sempre existe um compromisso real em formar uma comunidade de brasileiros recém-chegados, mas quando existe pode ser muito bom. Não vejo muito esse tipo de coisa em Ottawa, mas em Montréal já vi e constatei como esse apoio ajudou quem precisava de apoio e carinho. Até porque lá o desafio é bem maior, em razão das características da província e da língua;

- Pergunta fundamental: essa pessoa teria chances de ser sua amiga se vocês estivessem no Brasil, na realidade de vida pré-imigração? 

Enfim... Se de alguma forma você se propõe a ajudar pessoas expondo a realidade, prepare-se para não ser convidado para muitos churrascos... Destruidores de sonhos e ovelhas negras não são muito queridos, bem como seus cônjuges e familiares (neste caso pode ser gratuito para eles, aplicando-se infelizmente o "diga-me com quem andas e eu te direi quem és" - eis o principal motivo que me fez abandonar o canal). Mas pensar que ficará livre de churrascos chatos onde estará mais por obrigação do que por prazer, e poderá priorizar o que e quem realmente vale a pena na sua vida - a começar por você mesmo, aproveitando a sua própria companhia e mantendo-se fiel aos seus valores - pode trazer muita paz e felicidade. A vida é muito curta e o tempo é muito precioso para ser perdido com quem não nos faça bem.

Por outro lado, é bom ver opiniões como esta que está aí embaixo na figura... depois de mais de um ano sem postar vídeos e me mantendo "na minha" (volto a repetir, nunca tive tanta paz por aqui do que após o fim do canal), ainda sou lembrado... Isso me faz deitar a cabeça no travesseiro com a consciência tranquila e a sensação de missão cumprida. Não há dinheiro que pague.


Vida Que Segue - Canada

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